Saúde

Venda de Ozempic em marketplace avança no exterior, mas esbarra em barreiras regulatórias no Brasil

Venda de Ozempic em marketplace avança no exterior, mas esbarra em barreiras regulatórias no Brasil
Da Redação

Da Redação

03/07/2026 2:30pm

Foto: Reprodução

 A recente parceria entre a farmacêutica Novo Nordisk e o Mercado Livre no México, voltada para a venda oficial de emagrecedores como o Ozempic diretamente no marketplace, acendeu um alerta no setor varejista e impactou as ações de grandes redes de farmácias na Bolsa de Valores. A entrada de um gigante do e-commerce na distribuição de medicamentos de alto valor e uso recorrente (da classe dos chamados análogos de GLP-1) sinaliza uma concorrência de peso. Para os analistas de mercado, o movimento tem o potencial de abocanhar uma fatia importante do faturamento das drogarias tradicionais, que hoje dependem fortemente do fluxo gerado por esses produtos de tíquete médio elevado.

Apesar do temor de que a novidade possa "enxugar" a receita das farmácias físicas, especialistas e grandes bancos apontam que o impacto imediato no mercado brasileiro ainda é blindado por uma forte barreira regulatória. No Brasil, as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impõem exigências rígidas para a comercialização de substâncias controladas como a semaglutida, que demanda retenção obrigatória de receita em duas vias e registro em sistemas nacionais de monitoramento. Além disso, a legislação atual restringe a venda online apenas à extensão digital de farmácias devidamente licenciadas, impedindo que marketplaces operem como vendedores diretos desse tipo de medicação.

Dessa forma, o cenário desenhado pelo avanço do Mercado Livre na vertical de saúde serve mais como um aviso de tendências futuras do que como uma ameaça imediata ao varejo farmacêutico nacional. Enquanto o modelo mexicano avança sob regras locais mais permissivas  utilizando uma estrutura logística de entrega com validação farmacêutica , as redes de farmácias no Brasil mantêm o monopólio da distribuição física e digital do Ozempic devido às restrições legais. Contudo, o episódio deixa claro que a digitalização da saúde e o interesse das indústrias pelo canal direto com o consumidor continuarão pressionando o mercado tradicional a se reinventar.