Saúde

Inverno e coração: temperaturas baixas elevam risco de complicações cardíacas

Inverno e coração: temperaturas baixas elevam risco de complicações cardíacas
Pietro Baddini

Pietro Baddini

03/07/2026 12:00pm

Foto: Reprodução

O aumento do risco de doenças cardíacas durante as baixas temperaturas é um fenômeno amplamente documentado pela medicina. Quando o corpo é exposto ao frio intenso, o sistema nervoso simpático é ativado, provocando a vasoconstrição — o estreitamento dos vasos sanguíneos — como um mecanismo de defesa para reter o calor interno. Esse processo eleva imediatamente a pressão arterial e faz com que o coração tenha de trabalhar com muito mais força para bombear o sangue por todo o organismo, sobrecarregando o sistema cardiovascular.

Além do esforço mecânico do coração, o clima frio altera diretamente as propriedades do sangue, tornando-o mais denso e propenso à coagulação. A combinação de artérias contraídas com um sangue mais viscoso aumenta significativamente a probabilidade de formação de coágulos, que podem obstruir os vasos. Esse cenário eleva drasticamente a incidência de eventos graves, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em indivíduos que já apresentam fatores de risco prévios.

Por fim, os hábitos sazonais e o aumento de infecções respiratórias no inverno atuam como agravantes desse quadro. No frio, as pessoas tendem a adotar uma dieta mais calórica, reduzir a prática de atividades físicas e sofrer mais com gripes e resfriados, que geram processos inflamatórios no corpo capazes de instabilizar placas de gordura nas artérias. Portanto, a prevenção passa não apenas por manter-se bem agasalhado, mas também por monitorar a saúde cardiovascular com atenção redobrada durante os meses mais frios do ano.