Saúde

Uso de “canetas emagrecedoras” deve ser suspenso antes da gravidez, alertam especialistas

Uso de “canetas emagrecedoras” deve ser suspenso antes da gravidez, alertam especialistas
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

18/03/2026 2:05pm

Foto: Acervo Pessoal

A obesidade atinge cerca de 40% das mulheres em idade reprodutiva e está associada a riscos como diabetes gestacional, hipertensão e pré-eclâmpsia. Por isso, a busca por um peso saudável antes da gestação é recomendada por especialistas. Nesse contexto, medicamentos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, têm ganhado destaque no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, apresentando resultados expressivos, especialmente nos primeiros meses de uso.

Apesar dos benefícios, o uso dessas chamadas “canetas emagrecedoras” exige cautela quando há desejo de engravidar. Estudos pré-clínicos em animais apontam possíveis riscos ao desenvolvimento embrionário, enquanto pesquisas em humanos ainda são limitadas e inconclusivas. Diante disso, entidades médicas recomendam que essas medicações sejam contraindicadas durante a gestação, além da adoção de métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento.

Segundo a especialista em reprodução humana Wendy Delmondes, mulheres que desejam engravidar devem planejar a suspensão do uso com antecedência. O tempo de eliminação das substâncias varia, mas, em geral, é indicada a interrupção entre quatro e oito semanas antes da tentativa de concepção. Esse intervalo é fundamental para reduzir potenciais riscos ao embrião e garantir maior segurança no início da gestação.

Outro ponto de atenção é o impacto no planejamento reprodutivo. A perda de peso mais significativa ocorre nos primeiros meses de uso, somada ao período necessário para eliminação da medicação, o que pode adiar a tentativa de gravidez — especialmente relevante para mulheres acima dos 35 anos. Além disso, a interrupção exige acompanhamento médico, já que pode haver reganho de peso e alterações metabólicas. O cuidado no período pré-concepcional deve ser individualizado, equilibrando saúde, tempo reprodutivo e segurança materno-fetal.