Saúde

Quase 1 em cada 5 tratamentos de reprodução assistida no Brasil já envolve doação de óvulos

Quase 1 em cada 5 tratamentos de reprodução assistida no Brasil já envolve doação de óvulos
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

18/03/2026 1:18pm

Foto: Freepik

O avanço da reprodução assistida no Brasil tem transformado o caminho de quem deseja formar uma família. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por meio do sistema SisEmbrio, apontam que o país já ultrapassou a marca de 56 mil ciclos realizados em um único ano, evidenciando crescimento expressivo nos últimos anos. Dentro desse cenário, estudos publicados na JBRA Assisted Reproduction indicam que entre 16% e 20% dos procedimentos na América Latina — com forte participação brasileira — já envolvem a doação de óvulos, o que representa quase um em cada cinco tratamentos.

Esse dado reflete uma realidade cada vez mais comum nos consultórios: pacientes que não podem utilizar seus próprios gametas devido a fatores como idade materna avançada, insuficiência ovariana precoce, alterações genéticas ou tratamentos oncológicos. Nesses casos, a medicina reprodutiva oferece alternativas seguras e regulamentadas, ampliando as possibilidades de gestação e tornando viável o projeto reprodutivo de muitas famílias.

A fertilização in vitro com doação de gametas — seja de óvulos, sêmen ou embriões — é indicada após investigação clínica detalhada, quando outras abordagens não apresentam resultados. No caso da ovodoação, os óvulos de uma doadora são fertilizados em laboratório e o embrião formado é transferido para o útero da paciente. Todo o processo segue normas rigorosas do Conselho Federal de Medicina, incluindo triagem clínica, avaliação genética e exames para doenças infecciosas, além da garantia de anonimato entre doadores e receptores.

A investigação da infertilidade é recomendada quando o casal não consegue engravidar após 12 meses de tentativas — ou seis meses, para mulheres acima dos 35 anos. As causas podem envolver fatores femininos, masculinos ou ambos, e incluem alterações hormonais, baixa qualidade seminal e condições adquiridas ao longo da vida. O crescimento desses tratamentos reforça que a reprodução assistida deixou de ser exceção e passou a integrar a realidade de milhares de brasileiros, incorporando alternativas que vão além da genética como único critério de parentalidade.