Maternidade após os 35 anos: o que considerar no planejamento reprodutivo
Especialistas explicam como a redução da quantidade e da qualidade dos óvulos influencia as chances de gravidez.
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A decisão de ter filhos envolve projetos pessoais, carreira e condições de vida. Para quem deseja engravidar, o planejamento também precisa considerar a idade e o histórico de saúde. Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva e diretora do Huntington Cenafert, observa que a formação acadêmica e a trajetória profissional têm levado mulheres a adiar a maternidade. Esse adiamento, explica a médica, pode coincidir com uma redução mais acentuada da quantidade e da qualidade dos óvulos, especialmente depois dos 35 anos.
O momento de procurar avaliação varia conforme a faixa etária. Na ausência de fatores de risco conhecidos, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) recomenda investigar a infertilidade após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção para mulheres com menos de 35 anos, ou após seis meses a partir dessa idade. Acima dos 40, uma avaliação mais imediata pode ser indicada. Ciclos irregulares, suspeita de endometriose ou outras condições associadas à infertilidade justificam antecipar a investigação. Essas orientações constam na [diretriz da ASRM sobre avaliação da infertilidade](https://www.asrm.org/practice-guidance/practice-committee-documents/fertility-evaluation-of-infertile-women-a-committee-opinion-2021/).
A avaliação não deve se concentrar apenas na mulher. “A investigação da infertilidade sempre deve ser feita por ambos os parceiros para um diagnóstico mais assertivo, pois o homem também pode ter fatores que impeçam ou dificultem a concepção”, afirma Bárbara Melo, especialista em medicina reprodutiva da equipe do Huntington Cenafert. Para mulheres que desejam engravidar após os 40 anos, a médica destaca a necessidade de examinar tanto a condição reprodutiva quanto a saúde geral antes de definir a conduta.
Entre as possibilidades discutidas no planejamento estão a fertilização in vitro (FIV) e a preservação de óvulos ou embriões. Gérsia orienta que o congelamento de óvulos seja considerado preferencialmente antes dos 35 anos, levando em conta a perda progressiva de qualidade com o avanço da idade. Já o congelamento de embriões envolve a fertilização dos óvulos em laboratório e sua conservação para uma transferência futura ao útero. “A indicação de cada técnica é individualizada e depende de vários aspectos, que devem ser alinhados adequadamente entre a paciente e o especialista”, afirma Gérsia Viana.