Câncer colorretal avança entre adultos jovens e acende alerta para diagnóstico precoce
Instituto Nacional de Câncer estima 53.810 novos casos no Brasil no triênio 2026-2028, enquanto médicos chamam atenção para mudanças no perfil da doença.
O câncer colorretal, historicamente mais associado às faixas etárias mais avançadas, tem apresentado crescimento entre adultos jovens e colocado médicos em alerta para a necessidade de diagnóstico precoce. Dados citados pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pelo Ministério da Saúde apontam aumento médio anual de 7,6% dos casos em pessoas com menos de 50 anos. Para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer estima 53.810 novos casos da doença.
A gerente de Negócios Poliana Leite descobriu o câncer de intestino aos 36 anos, após uma gravidez marcada por dores, vômitos e alterações nas fezes. O diagnóstico ocorreu dois meses depois do parto, quando um episódio de sangramento levou à investigação por colonoscopia. Moradora de Feira de Santana, ela seguiu para Salvador para realizar os tratamentos cirúrgico e quimioterápico. Hoje, ao lado do filho Raul, de 4 anos, transformou a experiência no livro “Mais forte que o câncer”. “Sou uma pessoa esclarecida, mas nunca imaginei que estaria com essa doença, pois na minha idade era raro”, relata.
A oncologista Anelisa Coutinho explica que ainda não existe uma causa única estabelecida para o crescimento dos casos entre jovens. Obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de ultraprocessados, carnes vermelhas, açúcares refinados e bebidas alcoólicas ou adoçadas aparecem entre os fatores associados à doença. Segundo a médica, o excesso de peso pode atuar como fator promotor em aproximadamente 30% dos novos casos entre adultos jovens. Alterações no microbioma intestinal, uso indiscriminado de antibióticos e processos inflamatórios crônicos também estão sob investigação.
Sangue nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal, alteração no formato das fezes, dor abdominal, anemia, perda de peso sem explicação e sensação de evacuação incompleta estão entre os sinais que merecem avaliação médica, segundo a coloproctologista Fernanda Coelho, do Itaigara Memorial. A especialista ressalta que esses sintomas também podem ter causas benignas, mas não devem ser ignorados quando persistentes ou recorrentes. A colonoscopia permite identificar e retirar pólipos antes que determinadas lesões evoluam para um tumor maligno e é considerada o principal exame para rastreamento. Para adultos assintomáticos, diretrizes citadas pela oncologista Anelisa Coutinho indicam o início do exame aos 45 anos, com periodicidade definida de acordo com o risco individual e os achados. Pessoas com histórico familiar, sintomas ou outros fatores de risco podem necessitar de investigação mais precoce.