Saúde

Estudo internacional com participação de médico brasileiro esclarece o lipedema e combate mitos sobre a doença

Estudo internacional com participação de médico brasileiro esclarece o lipedema e combate mitos sobre a doença
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

21/01/2026 9:00pm

Foto: Divulgação HDO

Um novo estudo científico internacional trouxe avanços importantes para a compreensão do lipedema, uma doença crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo e que ainda é frequentemente confundida com obesidade comum. A pesquisa foi publicada na revista npj Metabolic Health and Disease, do grupo Nature, uma das mais respeitadas publicações científicas da área da saúde.

O artigo, intitulado “Unraveling lipedema: comprehensive insights and the path to future discoveries”, conta com a coautoria do médico brasileiro Dr. Fábio Trujilho, endocrinologista e pesquisador do Hospital da Obesidade, em Salvador.

O lipedema é uma condição caracterizada pelo acúmulo anormal e desproporcional de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Um dos sinais mais marcantes é o fato de que mãos e pés não são afetados, o que ajuda a diferenciar a doença de outras condições semelhantes.

Além do aumento de volume, o lipedema pode causar dor, sensibilidade ao toque, inchaço e sensação de peso, comprometendo a mobilidade e a qualidade de vida. Por muitos anos, mulheres com lipedema ouviram que o problema estava relacionado apenas a hábitos alimentares inadequados, o que o estudo ajuda a desmentir.

Segundo os pesquisadores, o lipedema tem origem genética, hormonal e vascular, e não está ligado apenas ao excesso de peso.

Um dos principais mitos combatidos pelo estudo é a ideia de que a gordura do lipedema não responde a dietas ou mudanças no estilo de vida. De acordo com o Dr. Fábio Trujilho, isso não é verdade.

“Embora o tecido adiposo do lipedema tenha características próprias e seja mais difícil de tratar, estratégias como alimentação anti-inflamatória, dietas com menor teor de carboidratos e atividade física regular podem reduzir o volume da gordura e aliviar a dor”, afirma o médico.

O estudo também destaca um dado considerado surpreendente: mulheres com lipedema tendem a apresentar melhor saúde metabólica do que mulheres com obesidade comum com o mesmo peso corporal.

Essas pacientes costumam ter maior sensibilidade à insulina, o que indica que a gordura do lipedema se comporta de forma diferente da gordura visceral — associada a doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.

Os especialistas defendem que o tratamento do lipedema deve envolver diferentes frentes de cuidado, sempre de forma individualizada. Entre as principais estratégias estão:

Tratamento clínico: alimentação personalizada e controle do peso; Fisioterapia especializada: uso de meias de compressão e drenagem linfática para reduzir inchaço e desconforto; Atividade física, especialmente exercícios aquáticos, que aproveitam a pressão da água para melhorar a circulação; e Cirurgia em casos mais graves, a lipoaspiração com técnica tumescente pode ser indicada para melhorar a mobilidade e reduzir a dor crônica

Especialista brasileiro em destaque

O Dr. Fábio Trujilho é endocrinologista, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e atual presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e da Federação Latino-Americana de Obesidade (FLASO). Ele integra o corpo clínico e o setor de pesquisa do Hospital da Obesidade.

Referência no tratamento da obesidade

Localizado na Bahia, o Hospital da Obesidade é referência nacional no tratamento multidisciplinar da obesidade e de doenças metabólicas, com foco na recuperação integral da saúde do paciente e atuação baseada em evidências científicas