Saúde

Circulação da Influenza virus reforça necessidade de prevenção anual

Circulação da Influenza virus reforça necessidade de prevenção anual
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

13/03/2026 4:44pm

Foto: Marcos Welber/ Acervo Sabin

Infecção respiratória viral aguda, a influenza é responsável por epidemias sazonais que impactam sistemas de saúde em diferentes países. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a gripe sazonal está associada a cerca de 1 bilhão de casos anuais no mundo, com 3 a 5 milhões de casos graves e até 650 mil mortes por complicações respiratórias a cada ano.

De acordo com a infectologista pediátrica Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde, os sintomas mais comuns da gripe incluem febre de início súbito, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dor de garganta, coriza e mal-estar.

“Em parte dos casos, especialmente entre idosos, gestantes, puérperas, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos, o quadro pode evoluir para complicações como pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave, com possibilidade de internação e óbito”, explica a especialista.

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 220 mil casos de SRAG, segundo dados do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz. Entre os casos confirmados para vírus respiratórios, aproximadamente um em cada quatro esteve associado à influenza A, colocando o vírus entre as principais causas de quadros graves no país.

No mesmo período, foram registradas mais de 13 mil mortes por SRAG, e entre os óbitos com identificação viral, quase metade teve relação com a Influenza A.

Vacinação

A vacinação é recomendada para todas as pessoas a partir dos seis meses de idade. Crianças entre seis meses e oito anos que serão vacinadas pela primeira vez devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas. A partir dos nove anos, a recomendação é de dose única anual. Pessoas com febre ou quadro infeccioso agudo devem aguardar melhora clínica antes da aplicação.

Segundo Sylvia Freire, a vacina contra a gripe é do tipo inativada, produzida com partículas de vírus cultivadas em laboratório, posteriormente inativadas quimicamente e purificadas.

“O imunizante estimula a produção de antígenos que não são capazes de causar infecção. Quando a pessoa vacinada entra em contato com o influenza, o sistema imunológico já reconhece o agente e responde de forma mais rápida, reduzindo o risco de evolução para quadros graves”, explica.

Composição atualizada

A composição da vacina é atualizada todos os anos para acompanhar as cepas com maior probabilidade de circulação. A definição é baseada na vigilância global coordenada pela Organização Mundial da Saúde e adotada no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

De acordo com a infectologista, essa atualização é necessária devido à capacidade de mutação do vírus influenza.

“O influenza sofre alterações genéticas frequentes. A cada ano, centros colaboradores da OMS analisam amostras coletadas em diversos países para identificar quais cepas têm maior probabilidade de circular na próxima temporada. A composição da vacina é ajustada com base nesses dados”, afirma.

Para a temporada 2026 no Hemisfério Sul, a Anvisa definiu que as vacinas trivalentes devem conter vírus similares às variações A (H1N1 e H3N2) e B (linhagem Victoria). Já as vacinas quadrivalentes incluem essas três cepas e podem manter um segundo componente de influenza B (linhagem Yamagata), conforme a regulamentação vigente, embora essa linhagem não apresente circulação documentada nos últimos anos.

Na rede privada em 2026, estarão disponíveis vacinas trivalentes e quadrivalentes atualizadas, seguindo as diretrizes da Anvisa. A vacina quadrivalente 2026 e a vacina trivalente de alta dose, destinada especialmente a idosos, já estão disponíveis nas unidades do Sabin Diagnóstico e Saúde.