Saúde

Hospital em Salvador faz intervenção inédita por cateterismo em bebê de 1,4 kg

Após dois ciclos de tratamento medicamentoso sem sucesso, equipe multidisciplinar optou por procedimento inovador que evitou uma cirurgia aberta.

Hospital em Salvador faz intervenção inédita por cateterismo em bebê de 1,4 kg
Da Redação

Da Redação

21/07/2026 11:25am

Foto: Divulgação

Um procedimento inédito realizado na Bahia representa um avanço importante para a cardiologia pediátrica e a neonatologia. Um bebê prematuro extremo, nascido com 26 semanas de gestação e apenas 1,1 kg, passou pelo primeiro fechamento de canal arterial por cateterismo em um paciente com menos de 2 kg no estado. A intervenção foi realizada no Hospital Mater Dei Salvador, utilizando a prótese Piccolo, desenvolvida especificamente para recém-nascidos de muito baixo peso.

Natural do interior da Bahia, o bebê foi inicialmente tratado com dois ciclos de medicação, mas o canal arterial permaneceu aberto. Diante da persistência do quadro, uma equipe multidisciplinar optou pelo fechamento percutâneo, realizado quando o paciente alcançou 1,4 kg.

O procedimento foi conduzido pela equipe de Hemodinâmica Congênita, sob a liderança da médica Cauyna Moreira, e ocorreu sem intercorrências. Após a intervenção, o recém-nascido apresentou boa evolução clínica, ganhou peso e tem previsão de alta hospitalar nos próximos dias.

O canal arterial é uma estrutura presente durante a gestação que permite a circulação do sangue enquanto os pulmões do feto ainda não estão em funcionamento. Após o nascimento, ele normalmente se fecha espontaneamente. Em bebês prematuros, porém, esse fechamento pode não acontecer, provocando sobrecarga no coração e nos pulmões e aumentando o risco de complicações respiratórias e cardiovasculares.

Quando o tratamento medicamentoso não resolve o problema, os especialistas avaliam alternativas como a cirurgia ou o fechamento por cateterismo. Embora esse tipo de procedimento seja consolidado em adultos e crianças maiores, sua realização em prematuros extremos exige elevada precisão técnica devido ao pequeno calibre dos vasos sanguíneos e à fragilidade dos pacientes.

Para tornar a intervenção possível, o bebê foi transferido para Salvador em uma UTI aérea. O atendimento mobilizou profissionais de diversas especialidades, incluindo Cardiologia Pediátrica, Neonatologia, Hemodinâmica Congênita, Ecocardiografia Pediátrica e Fetal, Anestesiologia e Cirurgia Cardíaca Pediátrica, demonstrando a importância da atuação integrada em casos de alta complexidade.

O caso reforça o avanço da medicina de alta complexidade na Bahia e amplia as possibilidades de tratamento para recém-nascidos prematuros que antes tinham opções terapêuticas mais limitadas.