Saúde

Bahia lidera casos de hepatites B e C no Nordeste e reforça alerta para prevenção

Especialista destaca que muitos casos permanecem sem sintomas por anos, aumentando o risco de complicações graves.

Bahia lidera casos de hepatites B e C no Nordeste e reforça alerta para prevenção
Da Redação

Da Redação

22/07/2026 12:40pm

A Bahia concentra o maior número de casos notificados de hepatites B e C entre os estados do Nordeste, cenário que reforça a importância da prevenção, da vacinação e do diagnóstico precoce. A proximidade do Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, chama atenção para doenças que, em muitos casos, evoluem de forma silenciosa e podem provocar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.

De acordo com o mais recente Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o Brasil contabilizou 826.292 casos confirmados entre 2000 e 2024. A hepatite C respondeu por 41,5% das notificações nacionais, seguida pela hepatite B (36,6%) e pela hepatite A (21,2%). Na Bahia, foram registrados 10.635 casos de hepatite B, tornando-a a forma mais frequente no estado. Já a hepatite C somou 9.908 notificações e 2.383 óbitos, enquanto a hepatite A contabilizou 9.463 casos, o segundo maior número do Nordeste.

Segundo o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, **Claudilson Bastos**, a vacinação contra as hepatites A e B, disponível nas redes pública e privada, é uma das estratégias mais eficazes para conter a circulação dos vírus e prevenir complicações. O especialista também reforça a importância da adoção de hábitos preventivos, como higiene adequada dos alimentos e das mãos, consumo de água tratada, uso de preservativos em todas as relações sexuais e cuidados com materiais utilizados em procedimentos como tatuagens, colocação de piercings e serviços de manicure.

O médico alerta ainda para um equívoco frequente entre usuários da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV). Segundo ele, embora a medicação seja eficaz na prevenção da infecção pelo HIV, ela não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, como a hepatite B. Por isso, o uso da camisinha continua sendo indispensável para reduzir o risco de transmissão.

Outro desafio é o diagnóstico. Enquanto a hepatite A costuma apresentar sintomas de forma aguda, as hepatites B, C e D podem permanecer assintomáticas durante anos, sendo descobertas apenas quando já existe comprometimento do fígado. A confirmação é feita principalmente por exames de sangue, e o tratamento varia conforme o tipo da doença, podendo incluir desde acompanhamento clínico até terapias antivirais altamente eficazes, especialmente no caso da hepatite C.