Doenças silenciosas: por que homens devem manter acompanhamento médico periódico
Hipertensão, diabetes e questões de saúde mental podem evoluir sem sinais claros; consultas regulares ajudam a identificar riscos e orientar o cuidado
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Mais de 7,3 milhões de atendimentos relacionados à hipertensão arterial foram registrados entre homens na Atenção Primária à Saúde (APS) em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. O volume, que pode incluir mais de um atendimento da mesma pessoa, coloca a doença no topo das demandas masculinas nesse nível de assistência. Diabetes, saúde mental e questões ligadas à saúde sexual e reprodutiva também aparecem entre os motivos que levam homens aos serviços de saúde.
Parte do desafio está justamente nas doenças que podem avançar sem sintomas perceptíveis. Para o médico de Família e Comunidade da Amparo Saúde Pedro Pina, esperar pelo surgimento de sinais mais graves pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. O especialista defende que o acompanhamento seja iniciado ainda na vida adulta e definido conforme o perfil de cada paciente. Histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer, assim como tabagismo, obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de álcool, podem exigir avaliações mais precoces ou frequentes.
Os números da atenção especializada ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, foram contabilizados 1.778.794 atendimentos ambulatoriais e 31.280 internações por diabetes entre homens. A hipertensão respondeu por 734.599 atendimentos e 15.165 internações, enquanto episódios depressivos somaram 53.308 atendimentos. Pina também chama atenção para as doenças cardiovasculares, que provocam mais de 1.100 mortes por dia no Brasil, segundo o Cardiômetro, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Pressão alta e colesterol elevado podem permanecer assintomáticos nas fases iniciais e, sem controle, aumentar o risco de complicações como infarto e AVC.
A prevenção, porém, não se resume a uma bateria indiscriminada de exames nem deve ficar restrita ao câncer de próstata. O acompanhamento pode envolver saúde mental, vacinação, saúde sexual, alimentação, atividade física, sono e consumo de álcool e outras drogas, sempre de acordo com as necessidades individuais. Ansiedade e depressão também podem aparecer de maneiras menos evidentes entre homens, com irritabilidade, insônia, fadiga, dores persistentes ou queda no desempenho profissional. “O objetivo é viver mais, com qualidade de vida e independência”, afirma Pedro Pina.