Fotos: Acervo Pessoal
Uma imersão nos bastidores do Carnaval de Salvador mostra como planejamento, governança e dados sustentam um dos maiores ativos econômicos e culturais do país.
Salvador aprendeu, ao longo do tempo, a celebrar sua alegria com método. O Carnaval Academy nasce exatamente dessa maturidade: transformar a maior festa de rua do mundo em um case real de gestão, planejamento e impacto econômico, abrindo seus bastidores para quem deseja compreender como cultura, economia e governança caminham juntas.
Estive presente na imersão, realizada no Doca 1, e registro aqui meu agradecimento pelo convite de Isaac Edington, presidente da Saltur, empresa municipal de turismo de Salvador e coordenador geral do Carnaval da cidade. Um gesto que vai além da cordialidade institucional: é a abertura consciente de dados, processos e decisões que sustentam um evento dessa magnitude.
O Carnaval Academy não se propõe a romantizar a festa — e esse é justamente o seu maior mérito. A proposta é didática, técnica e estratégica: mostrar que o Carnaval é uma operação complexa, que envolve planejamento antecipado, integração público-privada, gestão de riscos, logística urbana, segurança, sustentabilidade, patrocínios e comunicação em escala massiva.
Entre os destaques da curadoria e das falas, vale evidenciar Bruno Duarte, CEO da Agência Califórnia, que trouxe a perspectiva do mercado criativo e da construção de narrativas conectadas a marcas, território e experiência; e Bruno Portela, Head de Eventos da Bahia Eventos, cuja atuação reforça a importância da excelência operacional, da inteligência de produção e da capacidade de traduzir planejamento em experiência real para milhões de pessoas.
Os temas abordados ao longo da imersão deixam claro por que o Carnaval precisa ser lido como infraestrutura econômica: governança, planejamento financeiro, sustentabilidade, inovação, uso de dados, integração de transmissões, mobilidade urbana e coordenação de grandes equipes. Tudo isso forma uma cadeia produtiva que impacta turismo, serviços, comércio, economia criativa, geração de renda e posicionamento institucional da cidade.
Do ponto de vista econômico, o aprendizado é direto: a leveza da festa só existe porque há estrutura. Não se trata apenas de alegria espontânea, mas de um modelo profissional que exige previsibilidade, orçamento, controle, gestão de riscos e tomada de decisão baseada em dados. Quando Salvador compartilha esse know-how, ela não apenas valoriza o Carnaval — ela se consolida como referência internacional em gestão de grandes eventos.
Como colunista de economia e finanças, saio do Carnaval Academy com uma convicção ainda mais clara: cultura bem gerida não é custo, é ativo estratégico. E quando há planejamento, governança e visão de longo prazo, a festa deixa de ser apenas um momento no calendário e passa a gerar efeitos econômicos que ecoam durante todo o ano.