Parem de Pesquisar! (ou continuem tropeçando em R$ 1,8 Trilhões)
Foto: Acervo Pessoal Prezados CMO’s e CEO’s, vamos parar tudo por um momento. Precisamos ter uma conversa francamente desconfortável sobre o futuro (e o ...
Por Adriano Sampaio, CEO da Duplamente Inteligência de Mercado
Foto: Acervo Pessoal
Há cerca de 15 anos, o marketing digital se rendeu à métrica mais sedutora e falaciosa de sua história: o click-view. Sob o domínio dos cookies de terceiros, acreditou-se que o caminho para a conversão era uma linha reta—do anúncio ao clique, do clique à venda. Plataformas se tornaram “jardins murados” que vendiam a ilusão de precisão cirúrgica, transformando o profissional de marketing em um mero gestor de lances, refém de algoritmos que supervalorizavam o último clique.
A consequência foi um desequilíbrio orçamentário crônico. Marcas hiper investiram em performance de funil inferior, enquanto o brand building—a construção de significado, lembrança e legado—foi tratado como métrica secundária ou “gasto sem retorno”.
Agora, com o fim dos cookies de terceiros e o avanço das restrições de privacidade, essa miragem desaparece. O que sobra? A dura realidade de que nenhuma marca pode viver refém da mídia de resposta direta. Se a conversão depende exclusivamente da interrupção paga, a empresa não tem relevância própria; ela apenas aluga audiência.
O futuro da compra de mídia está migrando da atribuição (quem tocou o último clique) para a incrementalidade (o que realmente causou o crescimento do negócio).
Em um ambiente cookieless, a Inteligência Artificial deixa de apenas “perseguir” usuários e passa a fazer modelagem estatística, como o Media Mix Modeling (MMM). Essa abordagem, que não depende de dados pessoais, permite enxergar o que o último clique escondia: o papel fundamental dos canais de topo de funil, como TV, OOH e anúncios contextuais, na criação de demanda.
Medir apenas a conversão final é ignorar que, antes de comprar, o consumidor precisa ser “tocado” pela marca. É aqui que a mensuração cross-mídia se torna indispensável. Ela responde a três perguntas essenciais:
1. Awareness: De onde vem o reconhecimento?
2. Notoriedade: A marca está sendo lembrada espontaneamente?
3. Conversão: Onde a compra efetivamente se consuma?
Um marketing eficiente não é aquele que gasta 100% do budget em anúncios com alta taxa de clique, mas sim aquele que equilibra os pilares da saúde financeira e institucional.
Dados recentes mostram que marcas que realocam investimentos para um equilíbrio próximo a 60% em Brand (topo) e 40% em Performance (fundo) obtêm não apenas maior incrementalidade de receita (crescimento real), mas também uma redução significativa no custo por aquisição a médio prazo.
Isso ocorre porque o Brand Building funciona como um “colchão” para o funil de performance. Quando a marca tem vida própria, legado e presença constante, os anúncios de conversão se tornam mais eficientes—o consumidor já conhece aquela empresa, confia nela e a busca ativamente, reduzindo a dependência de retargetings caros.
O fim dos cookies não é uma crise, mas a cura para uma obsessão de 15 anos por métricas de curto prazo. Para os profissionais de comunicação e marketing, a ordem do dia é sofisticar a mensuração. Utilizar IA para modelagem estatística, adotar o MMM para entender o verdadeiro ROI incremental e, acima de tudo, reivindicar o orçamento para construir marca.
O objetivo final não é apenas vender pelo clique, mas garantir que, no momento da decisão de compra, o consumidor escolha a marca não porque ela apareceu por último na tela, mas porque ela está consolidada em sua mente como a única opção possível. Esse é o legado que a IA e o cookieless marketing agora nos forçam—e nos permitem—a construir.
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