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“Eco-nomia” circular work anywhere

Por: Eduardo Athayde - Eduardo Athayde é diretor do WWI Brasil - eduathayde@gmail.com

“Eco-nomia” circular work anywhere
Da Redação

Da Redação

04/05/2021 11:45am

O Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF 2021), a ser realizado em Toronto, no Canadá, em setembro próximo, abordará a recuperação econômica, identificando as principais ações necessárias para fortalecer a economia circular global. Nele estarão as tendências introduzidas pelo Environment, Social and Governance (ESG), que se espalhou tão rapidamente quanto o coronavírus no sistema financeiro internacional, deixando um traço, como marca, na “eco-nomia circular”. 

Liderada pelo Finnish Innovation Fund Sitra, a Finlândia uniu forças com o Canadá e a Holanda para sediar previamente eventos de alto nível, em abril de 2021, abordando o papel central que a circularidade desempenha nas economias. “Precisamos reconhecer a contribuição que a economia circular pode dar para a construção de uma sociedade mais sustentável”, disse o ministro do Meio Ambiente da Holanda, Stientje van Veldhoven. 

O objetivo de uma “eco-nomia circular” - diferente da linear, com altas taxas de descarte - é manter o valor dos produtos, materiais e recursos pelo maior tempo possível, retornando-os ao circuito após terem atingido o final do seu ciclo de vida, diminuindo a extração de materiais e ajudando na descarbonização. Assim como as taxas de reciclagem, as taxas de circularidade mostram diferenças por categoria de material. Em 2019, as taxas de circularidade na União Europeia eram de 24% para minérios metálicos, 15% para minerais não metálicos (incluindo o vidro), 9% para a biomassa (incluindo papel, madeira e tecido) e menos de 3% para materiais de energia fóssil (incluindo plásticos e combustíveis fósseis). 

Expert em combustíveis fósseis, o fundo soberano Mubadala, um dos maiores do mundo, sediado em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, já adotou os ensinamentos covidianos de “work anywhere” (trabalhar em qualquer lugar). Operando em ESG e focado no aumento das taxas de circularidade, arrematou em leilão a Refinaria Landulpho Alves (RLAN), às margens da Baía de Todos-os-Santos, percebida por eles de forma bem mais ampla como a Capital da Amazônia Azul. 

Assim como os fundos árabes, que apostam na expansão da “eco-nomia circular”, os fundos holandeses, judeus, canadenses e indianos, investindo em conhecimento, têm novos interesses. Atentas, cidades do interior se preparam para essas novas forças de ventos circulares. A Bahia, único Estado brasileiro com cinco biomas distintos (Cerrado, Semiárido, Mata Atlântica, bioma costeiro e bioma marinho), tem atrativos que interessam a esses novos investidores. 

Na dimensão da economia digital, as cidades do interior são “pontos do planeta” conectáveis ao ecossistema global, onde ideias, conhecimentos e patentes podem circular. Um bom exemplo é o Instituto Tecnológico de Piritiba (ITPi), fundado na pequena e charmosa cidade de Piritiba, situada no Piemonte da Chapada Diamantina. Privado e sem fins lucrativos, o inovador ITPi não tem tijolo nem cimento nem remunera os seus gestores; funciona em um espaço virtual usando o “work anywhere”, como o fundo Mubadala, conectando a sua cidade com o mundo. 

Em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), o ITPi organizou um hackathon, reunindo alunos entre 14 e 17 anos, para criar aplicativos solucionando problemas de “eco-nomia circular” local. Com a Universidade de Harvard, promoveu o curso de Pensamento Computacional e formou alunos do Ensino Médio, com diplomas entregues, em mãos, pela secretária de Ciência e Tecnologia do Estado. 

Com o novo drone adquirido, o ITPi poderá fazer levantamentos, em parceria com o SENAR e a Embrapa, para incluir produtos reciclados do lixo e do esgoto, transformados em adubos agrícolas, estimulando a “eco-nomia circular” local com rendas novas e taxas de circularidade maiores que as europeias. Ações como essas, de inteligência e conhecimentos aplicados, que se multiplicam no chamado “Brasil Profundo”, estão no radar de fundos como o finlandês Innovation Sitra e podem ser apresentadas no Fórum Mundial de Economia Circular, no Canadá.