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Descubra o que os 10 maiores magnatas da Forbes têm em comum

Por Adriano Sampaio, CEO da Duplamente Inteligência de Mercado

Descubra o que os 10 maiores magnatas da Forbes têm em comum
Adriano Sampaio

Adriano Sampaio

05/05/2026 8:00pm

Foto: Acervo Pessoal

Você já se perguntou por que o assalariado paga mais imposto que o bilionário? A resposta está na nova lista da Forbes 400, onde os dez primeiros — todos americanos, todos homens — não são apenas gênios dos negócios. São arquitetos de um sistema que transforma imposto em sugestão.

Musk lidera com US$ 428 bilhões. Mas o homem que coloniza Marte não vende ações; ele as penhora. Prometeu 30% da Tesla a bancos para financiar foguetes e caprichos sem pagar um centavo de ganho de capital. Vender ação gera imposto de renda; penhorar, não. É o truque mais antigo do clube.

Larry Ellison, o samurai da Oracle, elevou a técnica à arte. Quarenta por cento de suas ações estão no bolso dos bancos. Com esses empréstimos comprou uma ilha no Havaí e financiou uma equipe de vela profissional. O leão ficou lambendo as botas.

Zuckerberg, nosso eterno adolescente robótico, prefere os GRATs — trusts mágicos que transferem fortuna a herdeiros sem imposto sobre doação. Ele fez isso em 2012 e economizou US$ 250 milhões. A manobra é perfeitamente legal, escrita por lobistas que o Vale do Silício adora patrocinar.

Bezos, depois de anos pagando imposto em Seattle, fez as malas para Miami e economizou US$ 600 milhões em uma única venda de ações. Miami é quente, úmida e tem zero de imposto sobre ganho de capital. Quem precisa de paraíso fiscal caribenho quando a Flórida oferece o mesmo com melhores restaurantes?

Os gêmeos do Google, Page e Brin, foram além. Transferiram uma holding inteira da Califórnia para Miami às vésperas de um novo imposto estadual sobre fortunas. Movem empresas como peças de xadrez, sempre um lance à frente do fisco.

Jensen Huang, o chefão da Nvidia que virou popstar da inteligência artificial, enfiou ações em trusts irrevogáveis e escapou de US$ 8 bilhões em imposto sobre herança. Tudo legal, tudo limpo, tudo desenhado por advogados de US$ 3 mil a hora.

Michael Dell usa a esposa como sócia fiscal. Parte das ações está em nome dela, em estruturas que otimizam a mordida do leão. O casamento, nesse caso, é literalmente uma sociedade de economia tributária.

E Buffett? O Oráculo de Omaha doa bilhões, posa de bonzinho e, de quebra, nunca pagou imposto de renda sobre o lucro dessas ações doadas. É filantropia com zero de tributo. Um gênio.

O que os une é uma fórmula que chamo de “Buy, Borrow, Die” — compre, penhore, morra. O patrimônio cresce sem venda, o empréstimo financia a vida e a morte zera o imposto para os herdeiros. Na prática, a taxa efetiva deles mal chega a 8%. A sua? Bem-vindo aos 27,5% do contracheque.

Eles não são criminosos. São o produto de um código tributário escrito sob medida. A verdade inconveniente é que os Estados Unidos já são o maior paraíso fiscal do planeta — e Delaware, Dakota do Sul e Flórida são as novas Ilhas Cayman com bandeira estrelada.

Quer uma lição para levar dessa história? Não venda. Penhore. Mude de estado. Doe ações, não dinheiro. E, se possível, nunca morra sem um bom trust. O segredo dos bilionários nunca foi ganhar mais. Foi sempre pagar menos.