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Lavagem de Itapuã completa 121 anos em 2026 e reafirma tradição centenária de fé e cultura popular

Lavagem de Itapuã completa 121 anos em 2026 e reafirma tradição centenária de fé e cultura popular
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

05/02/2026 12:00pm

Fotos: Jefferson Peixoto / Secom PMS

Em 2026, a tradicional Lavagem de Itapuã celebra 121 anos de história, consolidando-se como uma das manifestações culturais e religiosas mais emblemáticas de Salvador. Criada em 1905, a festa nasceu da devoção popular e da força das tradições afro-brasileiras, transformando-se ao longo das décadas em um dos eventos mais simbólicos do calendário baiano.

Realizada sempre no mês de fevereiro, a Lavagem de Itapuã mistura religiosidade, música, cortejo e celebração comunitária. A festa tem como ponto alto o cortejo que percorre as ruas do bairro até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, onde acontece a tradicional lavagem das escadarias, conduzida por baianas vestidas de branco, que carregam potes com água de cheiro e flores.

A Lavagem surgiu no início do século XX, organizada por moradores e trabalhadores da região, muitos deles ligados às tradições do candomblé e à pesca artesanal. Assim como outras lavagens tradicionais da capital baiana, o ritual simboliza purificação, renovação e pedido de proteção.

O evento reflete o sincretismo religioso característico da Bahia, unindo elementos do catolicismo e das religiões de matriz africana. A lavagem das escadarias representa não apenas um gesto simbólico de limpeza espiritual, mas também a reafirmação da identidade cultural afro-baiana.

Mais do que uma festa religiosa, a Lavagem de Itapuã carrega o imaginário poético do bairro eternizado por Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes. Entre o Farol de Itapuã, as lagoas e o mar, o cortejo ganha contornos de celebração popular, com participação de blocos culturais, grupos de samba, capoeira e manifestações folclóricas.

Ao longo dos anos, a festa cresceu, incorporando apresentações musicais e movimentando a economia local, com destaque para ambulantes, comerciantes e artistas da região. Ainda assim, mantém sua essência comunitária e a valorização das raízes.

Em 2026, ao completar 121 anos, a Lavagem de Itapuã reafirma sua importância como patrimônio imaterial da cultura soteropolitana. Mais do que um evento festivo, a celebração representa resistência, ancestralidade e pertencimento.

Em meio às transformações urbanas e ao crescimento da cidade, a festa segue como ponto de encontro entre gerações, preservando tradições e fortalecendo laços comunitários. A cada edição, as águas perfumadas que descem as escadarias da igreja renovam não apenas a fé dos devotos, mas também a memória coletiva de um bairro que é símbolo da identidade baiana.