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Atualização da NR-1 passa a exigir avaliação de riscos psicossociais nas empresas a partir de maio de 2026

Atualização da NR-1 passa a exigir avaliação de riscos psicossociais nas empresas a partir de maio de 2026
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

05/03/2026 3:35pm

Foto: Divulgação

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir formalmente os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas. A mudança foi publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e, embora a norma já esteja em vigor, a fiscalização com possibilidade de autuações começa a valer a partir de 26 de maio de 2026, prazo estabelecido para que as organizações se adequem às novas exigências.

A atualização reconhece que o adoecimento ocupacional não se limita a questões físicas, abrangendo também fatores mentais e emocionais relacionados ao ambiente de trabalho. Para a psicóloga Lívia Fialho, da clínica Holos, o avanço representa uma mudança importante na forma como as empresas devem encarar a saúde do trabalhador.

“Riscos psicossociais são fatores presentes no ambiente de trabalho que afetam diretamente a saúde mental e o equilíbrio emocional dos profissionais. Não se tratam de fragilidades individuais, mas de condições estruturais como metas excessivas, liderança abusiva, assédio moral, clima organizacional hostil e sobrecarga de tarefas”, explica a especialista.

Dados recentes apontam que, nos últimos três anos, o Brasil registrou aumento de cerca de 80% nos afastamentos relacionados à saúde mental, cenário que contribuiu para a revisão da norma. “Essa mudança representa um avanço importante. Significa reconhecer que ambientes de trabalho também podem adoecer as pessoas e que isso precisa ser prevenido”, afirma.

Na prática, a partir de maio de 2026, empresas que não incluírem a avaliação de riscos psicossociais no PGR poderão ser autuadas durante fiscalizações trabalhistas. Até lá, o período é considerado de adaptação técnica, no qual as organizações devem realizar diagnósticos internos, mapear riscos e implementar medidas preventivas.

Segundo Lívia Fialho, a avaliação psicossocial ajuda a identificar setores mais vulneráveis, padrões de liderança inadequados e níveis de sobrecarga que podem levar ao esgotamento profissional. “O Síndrome de Burnout não surge de forma repentina. Ele é resultado de um sistema que está falhando com seu principal ativo: o trabalhador”, afirma.

Para a especialista, a adequação à nova norma exige mais do que medidas pontuais. “Cuidar da saúde mental no ambiente corporativo não pode ser tratado apenas como campanha ou ação isolada. É um processo contínuo de transformação cultural. A atualização da NR-1 marca um momento em que esse cuidado deixa de ser diferencial e passa a ser uma obrigação legal”, conclui.