Saúde

Vacina contra o sarampo exige avaliação em crianças com doenças autoimunes

A tríplice viral contém vírus vivo atenuado e pode precisar ser adiada em casos de imunossupressão importante, conforme avaliação médica.

Vacina contra o sarampo exige avaliação em crianças com doenças autoimunes
Da Redação

Da Redação

09/09/2026 10:10am

Foto: Magnific 

Crianças com doenças autoimunes não estão, necessariamente, impedidas de receber a vacina contra o sarampo. A decisão depende da condição imunológica de cada paciente e, principalmente, do tratamento em uso. Segundo a reumatologista pediátrica Dra. Roberta Gomes, da Clínica IBIS, fatores como o medicamento utilizado, a dose, o tempo de tratamento e o grau de imunossupressão precisam ser analisados antes de definir a conduta vacinal.

A atenção é maior com a tríplice viral, imunizante que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e utiliza vírus vivo atenuado. Em quadros de imunossupressão importante, a aplicação pode ser contraindicada temporariamente ou adiada. A situação é diferente para algumas vacinas inativadas, que podem ser administradas mesmo durante determinados tratamentos imunossupressores, desde que haja avaliação médica. “É importante não transformar ‘imunossupressor’ em sinônimo de ‘proibido vacinar’. O risco depende do medicamento e da intensidade da imunossupressão”, afirma a especialista.

A análise também leva em conta a atividade da doença, a data da última dose dos medicamentos e o histórico de imunização da criança. Isso faz com que pacientes com um mesmo diagnóstico possam receber recomendações diferentes. O acompanhamento individual é especialmente relevante diante dos riscos associados ao sarampo, doença altamente contagiosa que pode causar complicações como pneumonia, otite, cegueira e encefalite. Crianças menores de cinco anos estão entre os grupos com maior possibilidade de desenvolver formas graves.

Pais e responsáveis não devem interromper vacinas ou medicamentos por conta própria. A recomendação é apresentar a caderneta de vacinação ao pediatra e ao especialista que acompanha a criança para uma avaliação conjunta. Em casos específicos, também pode haver encaminhamento a um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). A orientação vale ainda para quem está com doses atrasadas: o calendário pode ser revisto a qualquer momento, sem necessidade de aguardar campanhas de vacinação ou o surgimento de novos casos.