Salvador tem atendimento gratuito para problemas de voz
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Protocolo médico prevê aplicações geralmente a cada 12 semanas e é indicado após avaliação individualizada do paciente.
Foto: Valter Andrade
Embora seja mais conhecida por sua aplicação estética, a toxina botulínica tipo A também integra as opções de tratamento preventivo da enxaqueca crônica. A condição é caracterizada por dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, durante mais de três meses, com pelo menos oito dias apresentando características de migrânea. “A enxaqueca é uma doença neurológica, e não apenas uma dor de cabeça mais intensa”, explica o neurologista Ricardo Alvim, coordenador da Equipe de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador. Náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e aos sons e alterações visuais estão entre os sintomas que podem acompanhar as crises.
No tratamento da enxaqueca, a toxina botulínica não serve para interromper uma crise em andamento. A aplicação segue protocolo médico, com doses e pontos específicos na cabeça e no pescoço, e busca reduzir a frequência, a intensidade e o impacto dos episódios. As sessões são realizadas, em geral, a cada 12 semanas. Segundo Alvim, algumas pessoas percebem melhora após o primeiro ciclo, enquanto outras precisam de novas aplicações para que a resposta ao tratamento seja avaliada.
Entre as principais evidências estão os estudos PREEMPT 1 e PREEMPT 2, que reuniram 1.384 adultos com enxaqueca crônica. Na análise conjunta, participantes tratados com toxina botulínica tiveram redução média de 8,4 dias de dor de cabeça a cada quatro semanas, ante 6,6 dias entre aqueles que receberam placebo. Em julho de 2026, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) também analisou a terapia para adultos com enxaqueca crônica que não responderam, não toleraram ou apresentam contraindicação a pelo menos três medicamentos preventivos. O relatório preliminar apontou provável redução dos dias mensais de dor de cabeça e de enxaqueca.
A indicação depende de avaliação médica e deve considerar a frequência das crises, condições associadas, tratamentos anteriores e possíveis efeitos adversos, como desconforto no local da aplicação, dor cervical, fraqueza muscular temporária e queda da pálpebra. O neurologista ressalta ainda que o procedimento não cura a enxaqueca e deve fazer parte de uma abordagem individualizada. Medidas não farmacológicas, entre elas atividade física, alimentação adequada e controle do estresse, também são apontadas como importantes no manejo das crises.
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