Saúde

Estresse e ansiedade podem afetar o aparelho digestivo; entenda a relação

Especialista explica o chamado eixo cérebro-intestinal e alerta para sinais como sangramento, perda de peso inexplicada e dores persistentes.

Estresse e ansiedade podem afetar o aparelho digestivo; entenda a relação
Da Redação

Da Redação

18/08/2026 2:10pm

Ansiedade antes de um compromisso importante, uma fase de estresse intenso ou uma preocupação persistente podem produzir efeitos que vão além do estado emocional. O aparelho digestivo também responde a essas situações, com sintomas que incluem distensão abdominal, cólicas, diarreia, constipação, azia, refluxo, empachamento e indigestão. Segundo o gastroenterologista Lincoln Porfírio Ferreira Filho, essa resposta está relacionada à comunicação bidirecional entre cérebro e sistema digestivo, conhecida como eixo cérebro-intestinal.

Em períodos de estresse, o organismo entra em estado de “luta ou fuga” e direciona energia e fluxo sanguíneo para funções consideradas prioritárias naquele momento. A digestão pode sofrer alterações, inclusive na motilidade intestinal. O especialista explica que estresse e ansiedade também podem interferir nos mecanismos de proteção do aparelho digestivo e aumentar a percepção de movimentos intestinais, fazendo com que cólicas e outros desconfortos sejam sentidos com maior intensidade. A comunicação funciona também no sentido inverso: alterações digestivas podem repercutir no sistema nervoso e estar associadas a manifestações como angústia, ansiedade e depressão.

Outro elemento dessa relação é a microbiota intestinal. De acordo com o gastroenterologista, pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas vêm investigando a participação das bactérias presentes no intestino em diferentes condições digestivas. Situações de estresse, ansiedade e angústia podem estar acompanhadas de mudanças nessa composição e em outros mecanismos do aparelho gastrointestinal. “Desta forma, ocorre um mecanismo de direção dupla: eixo cérebro-intestinal, onde um influencia o outro, e vice-versa”, explica o especialista.

A existência dessa conexão, porém, não significa que todo desconforto digestivo tenha origem emocional. Úlceras, gastrites, doença do refluxo gastroesofágico, doenças relacionadas à absorção, intolerâncias alimentares e cânceres do aparelho digestivo também podem produzir sintomas semelhantes e exigem investigação adequada. Sangramentos, perda de peso sem explicação, dores persistentes e sintomas que surgem durante o sono merecem atenção especial. “A saúde digestiva depende da saúde mental, e vice-versa”, resume o médico.