Psicólogo explica por que o Carnaval altera o comportamento humano e impacta a saúde mental
Especialista aponta que euforia, excesso de estímulos e pressão social podem intensificar ansiedade, impulsividade e queda emocional no pós-folia
Crédito da foto: Joilson Pereira
Muito além da festa, o Carnaval é um fenômeno que provoca mudanças significativas no comportamento humano. A combinação de euforia coletiva, suspensão temporária de regras sociais e estímulos intensos interfere diretamente no autocontrole, na tomada de decisões e no equilíbrio emocional das pessoas.
Segundo o psicólogo Rafael Peixoto, o período favorece a desinibição e a busca por prazer imediato, o que pode levar a atitudes mais impulsivas. O especialista explica que, durante a folia, é comum haver aumento do consumo de álcool, redução do sono e maior exposição a situações de risco, fatores que fragilizam os mecanismos de autorregulação emocional.
Outro ponto destacado é a pressão social para “estar feliz” no Carnaval. A expectativa de euforia constante, reforçada pelas redes sociais, pode gerar sentimentos de inadequação em quem não consegue acompanhar esse ritmo, agravando sintomas de ansiedade e depressão, especialmente em pessoas mais vulneráveis emocionalmente.
Além disso, o psicólogo chama atenção para o impacto do Carnaval em pessoas que já enfrentam transtornos emocionais. Mudanças bruscas na rotina, excesso de estímulos e ambientes superlotados podem funcionar como gatilhos para crises de ansiedade, irritabilidade e exaustão mental.
O excesso de estímulos sensoriais, aliado ao anonimato da multidão, também pode potencializar conflitos, comportamentos agressivos e decisões impulsivas, além de favorecer o chamado “vazio pós-Carnaval”, marcado por tristeza, cansaço emocional e desânimo após o fim da festa.
Para um Carnaval mentalmente mais saudável, a orientação é respeitar os próprios limites, alternar momentos de festa com descanso, manter a hidratação, preservar o sono e buscar apoio quando necessário. “Cuidar da saúde mental não é abrir mão do prazer, mas garantir que a experiência não deixe impactos negativos depois”, destaca o especialista.