Saúde

Por que os homens ainda resistem a cuidar da saúde? Médico alerta para os riscos do silêncio emocional

Irritabilidade, isolamento, alterações no sono e excesso de trabalho podem esconder sofrimento psicológico. O médico Glauber Branco explica por que reconhecer esses sinais e procurar acompanhamento especializado é essencial para a saúde masculina

Por que os homens ainda resistem a cuidar da saúde? Médico alerta para os riscos do silêncio emocional
Da Redação

Da Redação

03/11/2026 4:50pm

Foto: Divulgação

A ideia de que o homem precisa ser forte o tempo inteiro ainda influencia a maneira como muitos lidam com a própria saúde. Entre responsabilidades familiares, cobranças profissionais e a pressão por resultados, sinais de ansiedade, depressão e esgotamento emocional podem passar despercebidos ou ser ignorados. Para o médico Glauber Branco, que atua há mais de 20 anos em áreas como medicina funcional integrativa e saúde masculina, a dificuldade de reconhecer os próprios limites pode atrasar a procura por atendimento especializado. “Existe um homem por trás de cada profissional, empresário, pai, marido ou provedor. Um homem que também sente medo, insegurança, ansiedade, frustração e, muitas vezes, esgotamento”, afirma.

O sofrimento psicológico, porém, nem sempre aparece de maneira evidente. Irritabilidade frequente, isolamento social, alterações no sono, dificuldade de concentração e perda de interesse por atividades habituais estão entre os possíveis sinais de alerta. Há também quem mantenha uma rotina intensa de trabalho e continue cumprindo suas responsabilidades mesmo enfrentando dificuldades emocionais. Segundo Branco, o acompanhamento médico deve considerar não apenas os exames e as condições físicas, mas também a alimentação, o estresse, os relacionamentos e a saúde metabólica. O especialista observa que alterações hormonais podem estar associadas a determinados sintomas, mas não devem ser consideradas explicações isoladas para quadros de ansiedade ou depressão.

A busca por produtividade e reconhecimento profissional também pode contribuir para que o autocuidado fique em segundo plano. Para o médico, preservar a saúde exige atenção contínua, antes que os sintomas comprometam a vida pessoal ou profissional. “Não adianta conquistar sucesso profissional, patrimônio e reconhecimento se, no caminho, você perde sua saúde e sua qualidade de vida. Cuidar de si também é uma responsabilidade com quem você ama”, pontua. A orientação é não esperar que o sofrimento se agrave para procurar avaliação médica ou suporte psicológico. Reconhecer dificuldades e buscar acompanhamento adequado são medidas que podem contribuir para uma vida mais saudável, com autonomia e qualidade ao longo dos anos.