Saúde

Infarto: atendimento rápido pode salvar vidas e evitar sequelas no coração, alerta cardiologista baiano

Cardiologista intervencionista Sérgio Câmara explica como o diagnóstico precoce, a angioplastia e a integração entre equipes médicas ajudam a preservar a função cardíaca e reduzir os riscos de complicações após um infarto.

Infarto: atendimento rápido pode salvar vidas e evitar sequelas no coração, alerta cardiologista baiano
Da Redação

Da Redação

03/11/2026 3:10pm

Foto: Lorena Ventunin

O infarto agudo do miocárdio afeta entre 300 mil e 400 mil brasileiros todos os anos, de acordo com estimativas do Ministério da Saúde. A gravidade do problema aparece também nos índices de mortalidade: a cada cinco a sete casos, um termina em morte. Para o cardiologista intervencionista baiano Sérgio Câmara, a rapidez entre o surgimento dos sintomas e o início do tratamento pode determinar não apenas a sobrevivência do paciente, mas também a extensão dos danos ao coração. Isso acontece porque a interrupção do fluxo sanguíneo em uma artéria coronária compromete o fornecimento de oxigênio ao músculo cardíaco, podendo provocar lesões permanentes.

Os primeiros sinais incluem dor ou pressão no peito, desconforto que pode atingir braços, costas ou mandíbula, falta de ar, suor frio e náuseas. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem apresentar manifestações menos típicas. Ao identificar uma possível emergência cardíaca, a recomendação é ligar imediatamente para o Samu, pelo número 192, sem tentar chegar ao hospital por meios próprios. Na unidade de saúde, o eletrocardiograma deve ser realizado e interpretado, preferencialmente, nos primeiros dez minutos após o contato médico inicial. Dependendo do tipo de infarto, o tratamento pode envolver medicamentos para dissolver coágulos ou uma angioplastia, procedimento que utiliza cateteres para desobstruir a artéria e restabelecer a circulação. “A hemodinâmica tem um papel decisivo no tratamento do infarto porque permite identificar e tratar a obstrução no mesmo procedimento. Quanto mais rapidamente conseguimos restabelecer o fluxo sanguíneo, maiores são as chances de preservar a função cardíaca e evitar complicações graves”, destaca Sérgio Câmara.

A eficiência desse atendimento depende da atuação conjunta das equipes de emergência, cardiologia e hemodinâmica, responsáveis por conduzir o paciente desde a avaliação inicial até a intervenção necessária. Segundo Câmara, a disponibilidade de equipamentos modernos não elimina os riscos provocados por atrasos no diagnóstico ou no encaminhamento. O acompanhamento também precisa continuar depois da alta hospitalar, com consultas cardiológicas, uso correto dos medicamentos, controle da pressão arterial, do colesterol e do diabetes, além de reabilitação cardiovascular quando indicada. Esses cuidados ajudam a diminuir a possibilidade de um novo episódio e a preservar a qualidade de vida. “O infarto não deve ser tratado como um episódio isolado. A recuperação exige adesão aos medicamentos, controle da pressão arterial, do colesterol e do diabetes, além de mudanças sustentáveis no estilo de vida. Nosso objetivo não é apenas salvar o paciente na emergência, mas ajudá-lo a viver mais e melhor”, conclui o especialista.