Saúde

Nascer sem HIV: reprodução assistida amplia possibilidades para pessoas soropositivas

Nascer sem HIV: reprodução assistida amplia possibilidades para pessoas soropositivas
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

30/11/2025 12:00pm

Foto: Freepik e Divulgação / IVI

A maternidade e a paternidade são plenamente possíveis para pessoas que vivem com HIV — desde que exista planejamento reprodutivo e acompanhamento médico especializado desde o início do processo até o nascimento. Apesar dos avanços científicos, ainda persistem estigmas que dificultam o acesso à informação segura. Segundo o Ministério da Saúde, mais de um milhão de pessoas vivem com o vírus no Brasil, e a principal base para uma gravidez sem risco de transmissão é o tratamento antirretroviral adequado, capaz de manter a carga viral indetectável.

No campo reprodutivo, as técnicas de reprodução assistida oferecem recursos que praticamente eliminam o risco de infecção do parceiro e do bebê, como explica a médica Genevieve Coelho, diretora geral do IVI Salvador: “A informação rigorosa torna-se uma ferramenta essencial para que as pessoas infectadas conheçam suas opções, tomem decisões informadas e possam realizar o desejo de formar uma família sem medo ou preconceito, com um tratamento totalmente personalizado”.

Nas mulheres, o controle da carga viral antes e durante a gestação, associado às recomendações médicas em cada etapa, reduz a transmissão vertical a índices inferiores a 1%. Quando a carga viral está elevada, a cesariana pode ser indicada para maior segurança. “Nas últimas décadas, já se demonstrou que uma mulher soropositiva em tratamento adequado pode ter uma gravidez saudável e dar à luz um bebê completamente livre do vírus”, aponta a especialista. Para homens vivendo com HIV, uma das principais técnicas é a lavagem seminal, que separa os espermatozoides de células que possam conter o vírus. Após testagem rigorosa, o material pode ser utilizado em procedimentos como inseminação artificial ou ICSI, garantindo resultados seguros. No IVI, há mais de dez anos, nasceu a primeira criança de um casal sorodiferente, marco que reforça a evolução científica e a igualdade de direitos reprodutivos.

O Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, reforça esse compromisso com a informação e o combate ao preconceito. Criada oficialmente em 1988 pela ONU e pela Organização Mundial da Saúde, a data lembra que a desinformação ainda pode ser tão nociva quanto o próprio vírus — e que o acesso ao tratamento transformou o HIV em uma condição crônica, permitindo que milhões de pessoas construam seus projetos de vida, incluindo o sonho de ter filhos.