Saúde

Leite materno é aliado na proteção de bebês prematuros

No Nordeste, 39% dos bebês menores de seis meses recebem aleitamento materno exclusivo, segundo dados do Enani.

Leite materno é aliado na proteção de bebês prematuros
Da Redação

Da Redação

10/08/2026 1:20pm

Para um bebê prematuro ou de baixo peso, o leite materno vai além da nutrição e integra os cuidados durante um período de maior vulnerabilidade. Rico em componentes imunológicos, ele contribui para o amadurecimento do intestino, o desenvolvimento neurológico e a proteção contra infecções. A importância desse cuidado ganha visibilidade durante o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção e ao incentivo à amamentação.

Os índices mostram que ainda há espaço para avançar. No Brasil, 45,8% das crianças menores de seis meses recebem aleitamento materno exclusivo, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani). No Nordeste, o percentual é de 39%. A região, porém, apresenta o maior índice de amamentação continuada entre crianças de 12 a 23 meses: 51,8%, diante de uma média nacional de 43,6%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef recomendam amamentação exclusiva até os seis meses e sua continuidade, acompanhada da alimentação complementar, até os dois anos ou mais.

Nos casos em que o recém-nascido ainda não consegue mamar diretamente, a retirada do leite pode ser orientada pela equipe de saúde para que ele seja oferecido conforme as condições clínicas. “Cada pequena quantidade de colostro tem valor e pode representar uma contribuição significativa para a recuperação”, explica Renata Pitangueiras, neonatologista do Hospital Mater Dei Salvador. Quando o leite da própria mãe não está disponível ou é insuficiente, os bancos de leite humano também desempenham papel importante. Na Bahia, mais de 69 mil recém-nascidos foram beneficiados pelos serviços ao longo de 22 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.

O suporte à amamentação, no entanto, começa antes do nascimento. Informações sobre pega, livre demanda e dificuldades frequentes podem ser trabalhadas durante o pré-natal, enquanto o acompanhamento após o parto ajuda a identificar precocemente problemas como dor, fissuras e ingurgitamento. “Amamentação não se sustenta apenas com força de vontade. Ela depende de assistência qualificada, participação da família, divisão de tarefas, condições de descanso e proteção no retorno ao trabalho”, afirma Francisco Mota, obstetra do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana.