Saúde

Como reduzir o risco de perda muscular durante o uso de medicamentos para emagrecer

Especialista explica por que o resultado do tratamento não deve ser avaliado apenas pela balança e quais hábitos favorecem um emagrecimento sustentável.

Como reduzir o risco de perda muscular durante o uso de medicamentos para emagrecer
Da Redação

Da Redação

16/07/2026 1:50pm

Foto: Pixora ST / Shutterstock

Os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” ampliaram as possibilidades de tratamento da obesidade e do sobrepeso. Embora favoreçam reduções expressivas de peso em muitos pacientes, o processo pode envolver perda não apenas de gordura, mas também de massa magra. Por isso, a avaliação dos resultados deve considerar composição corporal, força e capacidade funcional — e não somente os números apresentados pela balança.

“Quando o emagrecimento ocorre de forma rápida ou sem suporte nutricional e físico adequado, existe o risco de perda de massa magra. Isso pode reduzir o gasto energético e dificultar a manutenção do peso no longo prazo”, afirma o médico Patrick Ferreira, presidente da Academia Brasileira de Clínica Médica e especialista em Nutrologia, Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício e Obesidade.

1. Avalie a composição corporal

A redução do peso não revela, isoladamente, quanto o paciente perdeu de gordura ou de tecido muscular. Segundo o especialista, o tratamento deve buscar melhora da composição corporal, com diminuição da gordura e preservação da musculatura, importante para o metabolismo, a força e a autonomia.

O acompanhamento pode incluir medidas corporais, avaliação de força e exames de composição corporal, quando indicados pela equipe responsável. A literatura recente também recomenda monitorar massa magra e função muscular durante perdas significativas de peso.

2. Garanta uma ingestão adequada de proteínas

A redução do apetite provocada pelos medicamentos pode diminuir também o consumo de nutrientes essenciais. Nesse cenário, as proteínas merecem atenção por fornecerem aminoácidos utilizados na manutenção e na recuperação dos músculos.

A quantidade necessária varia conforme idade, condições clínicas, nível de atividade física e função renal, entre outros fatores. Por isso, não existe uma recomendação única que sirva para todos, e o planejamento deve ser individualizado por médico e nutricionista. Estratégias com ingestão proteica adequada são apontadas como parte importante da proteção da massa muscular durante o tratamento.

3. Inclua exercícios de força

Musculação e outros exercícios resistidos produzem um estímulo direto para a conservação e o desenvolvimento do tecido muscular. Para Patrick Ferreira, esse tipo de atividade deve integrar o tratamento sempre que não houver contraindicação clínica.

Revisões científicas indicam que combinar treino de resistência e alimentação adequada pode reduzir a perda de massa magra e preservar melhor a capacidade funcional durante o emagrecimento. A rotina precisa respeitar o condicionamento, as limitações e a progressão de cada pessoa.

4. Evite perseguir a perda mais rápida possível

Resultados acelerados podem parecer atraentes, mas não são necessariamente sinônimo de um tratamento mais bem-sucedido. Restrições alimentares excessivas e perda rápida de peso podem aumentar o risco de inadequação nutricional e redução da massa magra.

“O ideal é buscar um processo progressivo e sustentável”, afirma o médico. O ritmo esperado deve ser definido individualmente, considerando resposta ao medicamento, tolerância, estado nutricional e condições de saúde.

5. Mantenha acompanhamento profissional

As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos sujeitos a indicação, prescrição e monitoramento. Consultas regulares permitem avaliar efeitos adversos, resposta clínica, ingestão alimentar, prática de exercícios e eventual necessidade de ajuste da dose.

A Organização Mundial da Saúde orienta que as terapias com GLP-1 façam parte de um cuidado amplo para a obesidade, condição crônica e multifatorial, e não sejam utilizadas como uma intervenção isolada.

6. Priorize força, funcionalidade e saúde metabólica

O sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pela aparência ou pelo total de quilos eliminados. Preservar músculos contribui para mobilidade, equilíbrio, autonomia, metabolismo e envelhecimento saudável.

“O tratamento da obesidade deve sempre mirar resultados sustentáveis, e não apenas estéticos”, afirma Patrick Ferreira. Alimentação equilibrada, exercício, sono adequado e acompanhamento médico formam a base de uma estratégia mais segura e duradoura.

Os medicamentos representam um avanço no cuidado da obesidade, mas não substituem hábitos saudáveis nem acompanhamento multidisciplinar. As decisões sobre prescrição, alimentação e treinamento devem ser tomadas de forma individualizada, especialmente por pessoas idosas, sedentárias ou com doenças renais, metabólicas e musculares.