Saúde

Bahia concentra alta incidência de doença falciforme e reforça importância da conscientização

Bahia concentra alta incidência de doença falciforme e reforça importância da conscientização
Da Redação

Da Redação

18/06/2026 7:31pm

Foto: Leonie Broekstra/ Shutterstock

Condição genética e hereditária que afeta a produção da hemoglobina responsável pelo transporte de oxigênio no sangue, a doença falciforme – que tem o dia mundial de conscientização lembrado nesta sexta-feira, 19 – continua sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil, especialmente na Bahia, estado com uma das maiores incidências da enfermidade no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que este ano, no período de janeiro a abril, foram registrados 3.389.865 atendimentos ambulatoriais realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados à enfermidade, sendo 537.023 na Bahia. No ano passado todo, o número foi de 10.089.577 atendimentos no país e 1.408.332 somente no estado. De acordo com a médica hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, Fernanda Queiroz, a alteração genética, causada pela doença falciforme, leva à formação da hemoglobina S (HbS), que pode deformar as hemácias em formato de foice, comprometendo a circulação sanguínea e favorecendo complicações, a exemplo de anemia crônica, crises dolorosas e danos progressivos a diversos órgãos. 

“A elevada frequência da doença na Bahia está relacionada, principalmente, à formação histórica e genética da população brasileira. A mutação responsável pela hemoglobina S teve origem em regiões da África e foi trazida ao Brasil ao longo do período colonial. Como o estado possui uma das maiores populações afrodescendentes do país, observa-se maior frequência do gene da hemoglobina S na população”, explica a médica, informando que “a doença falciforme pode ocorrer em pessoas de qualquer raça ou etnia, embora sua prevalência seja maior em populações com ancestralidade africana”. Sobre as hemácias, a especialista explica que “as normais, contendo hemoglobina A (HbA), são flexíveis e conseguem atravessar a microcirculação com facilidade para levar oxigênio aos tecidos. Já as hemácias falcizadas se tornam rígidas, menos deformáveis e têm maior tendência à hemólise (destruição prematura das hemácias) e à adesão ao endotélio vascular. Isso leva a dois processos principais: anemia hemolítica crônica e episódios de vaso-oclusão, nos quais há obstrução do fluxo sanguíneo em pequenos vasos”.  

A hematologista destaca ainda que, como consequência, ocorre redução da oxigenação tecidual e episódios de isquemia aguda e crônica, que se manifestam clinicamente como crises vaso-oclusivas. “Essas crises têm predomínio osteoarticular, sendo a dor óssea a manifestação mais comum, decorrente da isquemia da medula óssea e estruturas adjacentes. Ao longo do tempo, diferentes órgãos podem ser afetados, como pulmões, cérebro, rins e baço, podendo ocorrer complicações importantes como acidente vascular cerebral e síndrome torácica aguda. No baço, repetidos episódios de microinfartos levam à perda progressiva da função esplênica, condição conhecida como asplenia funcional, o que aumenta significativamente o risco de infecções bacterianas, especialmente na infância”, diz. As manifestações da doença podem surgir desde os primeiros anos de vida e incluem cansaço, palidez, icterícia (coloração amarelada dos olhos e da pele), inchaço das mãos e dos pés, além de episódios recorrentes de dor causados pela obstrução de pequenos vasos sanguíneos. Em situações mais graves, os pacientes podem desenvolver complicações potencialmente fatais, como síndrome torácica aguda, acidente vascular cerebral e infecções severas. Febre, dificuldade para respirar, dor intensa, alterações neurológicas e aumento importante do volume abdominal estão entre os sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato.