Saúde

Alterações na tireoide podem afetar fertilidade e aumentar riscos na gravidez

Alterações na tireoide podem afetar fertilidade e aumentar riscos na gravidez
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

13/05/2026 12:53pm

Fotos: Freepik e Divulgação

Distúrbios na tireoide, muitas vezes silenciosos, podem interferir diretamente na fertilidade e no desenvolvimento saudável da gestação. Dados da American Society for Reproductive Medicine indicam que entre 4% e 8,5% das mulheres apresentam alterações tireoidianas sem sintomas aparentes — índice que tende a ser ainda maior entre pacientes com infertilidade.

A glândula tireoide é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, que regulam o metabolismo e influenciam diversos sistemas do organismo, incluindo o reprodutivo. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Garcia, médica do IVI Salvador, pequenas alterações hormonais já podem provocar ciclos menstruais irregulares, ausência de ovulação e dificuldades para engravidar. Mesmo quando a concepção ocorre, o desequilíbrio hormonal pode comprometer a manutenção da gestação.

O hipotireoidismo — quando há produção insuficiente de hormônios — está associado a ciclos irregulares, anovulação e aumento da prolactina, dificultando a ovulação. Já o hipertireoidismo, caracterizado pelo excesso hormonal, também altera o ciclo menstrual e eleva o risco de complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascer. Em ambos os casos, o diagnóstico precoce é fundamental. Mulheres com hipotireoidismo não tratado apresentam ainda maior risco de aborto espontâneo, anemia gestacional, pré-eclâmpsia e parto prematuro.

Os impactos não se restringem às mulheres. Alterações na função tireoidiana também podem afetar a fertilidade masculina, interferindo na produção de testosterona, na formação dos espermatozoides e na qualidade seminal, além de estarem relacionadas à diminuição da libido e disfunção erétil — efeitos que, na maioria das vezes, são reversíveis com tratamento adequado.

A avaliação da função tireoidiana é recomendada especialmente para quem enfrenta dificuldades para engravidar, histórico de abortos de repetição, ciclos menstruais irregulares ou preparação para fertilização in vitro (FIV). Durante a gestação, a demanda por hormônios tireoidianos aumenta, principalmente no primeiro trimestre, período em que o bebê ainda não possui tireoide funcional e depende totalmente dos hormônios maternos para o desenvolvimento neurológico. Com investigação precoce e acompanhamento médico adequado, é possível reduzir riscos e aumentar significativamente as chances de uma gravidez saudável.