Saúde

Abandonar o cigarro mesmo após diagnóstico de câncer pode melhorar evolução do tratamento

Pesquisa publicada na JAMA Oncology acompanhou 4.526 pacientes e identificou maior sobrevida entre aqueles que deixaram o tabagismo. Pneumologista explica os benefícios da mudança durante o tratamento.

Abandonar o cigarro mesmo após diagnóstico de câncer pode melhorar evolução do tratamento
Da Redação

Da Redação

22/10/2026 2:00pm

Abandonar o cigarro mesmo depois de receber um diagnóstico de câncer pode fazer diferença na expectativa de vida dos pacientes. Um estudo publicado na revista científica JAMA Oncology, em 2024, acompanhou 4.526 pessoas com câncer que fumavam e identificou uma associação entre a interrupção do tabagismo e a maior sobrevida. 

Entre os participantes que iniciaram um programa estruturado para deixar de fumar nos primeiros seis meses após o diagnóstico, a sobrevida no percentil 75 foi de 3,9 anos para aqueles que abandonaram o cigarro, enquanto os que continuaram fumando registraram 2,1 anos.

A discussão também ganhou espaço em setembro de 2026, quando a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou uma síntese de evidências sobre os efeitos da cessação do tabagismo em pessoas diagnosticadas com câncer. 

Segundo Juliane Penalva, pneumologista do Centro Integrado do Tórax, os benefícios de abandonar o cigarro não se limitam à prevenção da doença. A especialista explica que continuar fumando pode elevar os riscos de complicações em cirurgias, prejudicar a recuperação pulmonar e interferir na evolução clínica durante os tratamentos oncológicos.

Para a médica, o desafio também exige atenção à saúde emocional dos pacientes. A dependência da nicotina, associada à ansiedade e ao medo provocados pelo diagnóstico, pode dificultar a decisão de parar de fumar. Por isso, o acompanhamento deve considerar as necessidades individuais, com apoio comportamental e, quando indicado, medicamentos. 

Juliane ressalta que o processo precisa ocorrer sem cobranças ou julgamentos, inclusive diante de possíveis recaídas. “Parar de fumar não muda o diagnóstico que já foi feito, mas pode influenciar positivamente o caminho que o paciente vai percorrer a partir daquele momento. A dependência do tabaco tem tratamento, e a equipe de saúde deve estar preparada para oferecer esse suporte”, conclui.