Salvador

Nova lei e aporte de R$ 5 milhões impulsionam chegada do maior evento de chocolate do mundo ao Brasil

País sedia o Salon du Chocolat, em dezembro, em um momento em que a produção nacional busca romper barreiras e avança em novas pautas de regulamentação

Nova lei e aporte de R$ 5 milhões impulsionam chegada do maior evento de chocolate do mundo ao Brasil
Marcello Fontes

Marcello Fontes

14/08/2026 2:47pm

Foto: Ascom


Ocupando a 6ª posição no ranking mundial de produtores de cacau, o Brasil vive uma grande transformação no setor do cacau e chocolate com a sanção da Lei nº 15.404/2026, que eleva para 35% o teor mínimo de sólidos de fruto para que um produto seja chamado de chocolate. O que reforça o compromisso com a qualidade, a transparência e a rastreabilidade. Para produtores, indústrias e consumidores, a lei representa mais respeito ao trabalho no campo, mais valor agregado ao produto brasileiro e mais segurança na hora da escolha.

É neste cenário, que após uma emblemática 30ª edição em Paris e passagem por diversas capitais, como Tóquio, Dubai e Nova York, o Salon du Chocolat confirma sua próxima parada no Brasil. O país será o primeiro na América Latina a receber o evento em formato completo e a Bahia – estado que se destaca na produção e exportação de cacau – foi escolhida para sediar essa edição que será realizada entre os dias 10 e 13 de dezembro, no Centro de Convenções Salvador.

Considerado o maior evento dedicado ao cacau e chocolate do mundo, o Salon coloca o cacau fino, amazônico e cabruca da Bahia no centro das negociações globais, e vai reunir centenas de produtores bean to bar e tree to bar, e marcas de todas as regiões do Brasil e países do continente americano e de outros continentes, como África, Ásia e Europa; autoridades e delegações de estado; empresários; fabricantes e especialistas do ramo; chefs e entusiastas da confeitaria e público geral que estarão envolvidos numa extensa programação que funde conhecimento técnico-científico, rodadas de negócios e entretenimento. Com compradores, chocolatiers e indústrias presentes, o produtor sai da lógica de commodity e passa a vender origem, história e qualidade. Isso se traduz em preços melhores e contratos de longo prazo.


Porque é importante para o Brasil receber um evento desta magnitude

Receber o maior evento de chocolate do mundo no Brasil é importante por  grandes motivos: economia, imagem e futuro do setor.


1. Economia: gera renda e valoriza quem produz

2.  Valorização do cacau brasileiro - O Brasil é um dos 7 maiores produtores do mundo. O evento coloca o cacau fino, baiano e amazônico no radar de compradores globais, tirando a gente da lógica de só exportar commodity barata.

3. Turismo e consumo -  Evento desse porte movimenta hotelaria, restaurantes e transportes.

4. Mercado interno - Expõe o consumidor brasileiro a chocolate 70%, bean-to-bar, origem única. Educa e cria novo público que paga mais e melhor.

5. Imagem e Protagonismo: posiciona o Brasil como origem, não só produtor. Deixa de ser "país que vende matéria-prima" e passa a ser "país que cria tendência, técnica e marca".

6. Sustentabilidade - O mundo tá de olho em cacau que preserva floresta. O Brasil, principalmente Amazônia e Mata Atlântica, tem a melhor história pra contar.

7.  Gastronomia - Chef, chocolatero e academia. Mostra que o Brasil domina a técnica, a regionalidade e os saberes tradicionais.

8. Intercâmbio e Futuro: inovação e conexão. Profissionais do mundo inteiro vêm, trocam técnica, criam produto novo com ingrediente brasileiro. Isso volta pro mercado o ano inteiro.

09. ⁠ Negócios - Feira, rodada de negócios que geram contrato. Pequenos produtores encontram grandes marcas. 

10. Orgulho e Cultura - Chocolate se torna patrimônio. Gera emprego para o jovem, mulher e cooperativas. Tira o cacau só da fazenda e coloca no centro da cultura.


 Entenda a Lei do Cacau


No campo legislativo, foram endurecidas as regras pra manter a qualidade do chocolate que chega nas prateleiras dos supermercados. Sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, a Lei 15.404/2026 estabelece critérios para a composição e embalagem dos derivados do cacau. Para ser considerado chocolate, o produto deve conter, ao menos, 35% de sólidos totais de cacau, e o tipo ao leite 25%, dispensando termos como “amargo” e “meio amargo” e priorizando a concentração do fruto em destaque. A medida entra em vigor em maio de 2027. 

Para Marco Lessa, CEO da MVU Empreendimentos, empresa responsável pela edição nacional do Salon, a lei é uma vitória para o setor. “Até 2009 nenhuma embalagem de chocolate no Brasil tinha o nome, percentual ou desenho do cacau, deixando a matéria-prima como coadjuvante. Hoje, graças ao movimento Pró-Cacau e ao engajamento de produtores e instituições, conseguimos ajudar a mudar profundamente esse cenário”

Além de oferecer uma melhor qualidade nutricional, a transparência na rotulagem deve aumentar a reputação do Brasil no mercado externo, com uma indústria mais competitiva com chocolate de maior valor agregado, valorização dos produtores rurais e reposicionamento do país no segmento Bean-to-Bar “da amêndoa à barra".

Como será o Salon du Chocolat Brasil 


Programação Gastronômica e Cultural


Um espetáculo de cores, aromas, sabores e brasilidades será visto no Salon du Chocolat Brasil, em Salvador. A programação da Feira seguirá o modelo internacional, mas com um foco mais especial na cultura do cacau de origem e suas tendências e inovações.

 A primeira atração confirmada na grade é o chef Guillaume Gomez, intitulado Embaixador da Gastronomia Francesa. O profissional ostenta em seu vasto currículo de mais de 30 anos o cargo de chef executivo do Palácio do Eliseu, onde preparou refeições para quatro presidentes da França, incluindo o atual, Emmanuel Macron. Guillaume Gomez assume papel estratégico e institucional na edição brasileira, reforçando a dimensão diplomática do Salon du Chocolat Brasil no cenário internacional. Dentre as diversas atividades previstas está a estrelada Cozinha Show com renomados chefs e chocolatiers nacionais e internacionais.

 Outra atração aguardada do Salon du Chocolat é o Desfile de Moda em Chocolate, onde alta costura, arte e alimento se encontram e desafiam os padrões estéticos. Modelos com looks avant-garde, construídos à base de cacau e chocolate e assinados por artesãos e chocolatiers, vão desfilar na passarela, desconstruindo o conceito de luxo e provando que a moda pode ser muita coisa, inclusive comestível.

 Símbolo do evento, as Esculturas de Chocolate darão um show à parte. As obras vão retratar elementos brasileiros como biomas, fauna e cultura popular, com peças em tamanho real esculpidas com centenas de quilos de chocolate. Artistas e chocolatiers nacionais e internacionais, como Léo Vilela, reconhecido por suas criações apresentadas em edições internacionais do Salon du Chocolat em Paris, assinarão as esculturas.

 A principal área do Centro de Convenções será ocupada por uma grande Feira de Produtos, com Negócios, Exposição e Degustação de produtos derivados do cacau e programação técnica, com palestras, workshops, painéis e rodadas de negócios.

 

Programação Técnica


Os principais agentes da cacauicultura global vão se reunir em Salvador em uma série de debates e negócios. Especialistas, produtores, marcas e investidores terão uma programação especial, entre painéis e fóruns com temas voltados para o futuro do cacau, tendências do setor, sustentabilidade, origem e inovação, transformando o Brasil numa grande vitrine do agronegócio.

 Investimentos, compras e networking B2B (Business to Business) também serão impulsionados através das Rodadas de Negócios, com atração do mercado internacional interessado em consumir e entender a produção nacional do cacau e chocolate, reconhecida e premiada pelo alto teor e qualidade das amêndoas.

 Com investimentos acima de € 1,5 milhão (próximo de R$ 10 milhões), estima-se que a edição do Salon du Chocolat no Brasil multiplique esse número em negócios diretos e futuros, de acordo com a MVU Empreendimentos/Grupo M21, empresa responsável por trazer o evento.

 

Visitas Técnicas


A imersão no universo do cacau de origem não termina no dia 13 de dezembro. Segundo a organização do evento, o Salon du Chocolat deve promover visitas técnicas posteriores ao Sul da Bahia, um dos principais polos cacaueiros do Brasil e berço da cabruca – modelo de cultivo que se caracteriza pelo plantio de cacau sob a sombra da Mata Atlântica.

 Na ocasião, os visitantes irão conhecer o percurso do cacau baiano, da plantação e colheita até a transformação em chocolate fino. O roteiro deve compreender a Estrada de Chocolate, com passagens por grandes fazendas e áreas rurais produtoras, fábricas de chocolates e a cidade de Ilhéus, reconhecida como a Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate.

 "Uma honra trazer o Salon du Chocolat para o Brasil com uma edição completa, histórica e definitiva — e na Bahia, a terra do cacau. Após 15 anos de parceria com o Brasil, com a Bahia presente graças à determinação e visão do Governo do Estado, e da presença consolidada nas maiores capitais do mundo — Paris, Nova York, Xangai, Tóquio —, o Salon coloca o país no calendário oficial com uma edição própria no destino que é, afinal, a grande origem do cacau." Disse Marco Lessa, CEO da MVU/M21.

 

Quem é Marco Lessa, empresário visionário que importou o Salon


No início dos anos 90, o Brasil experimentava o início da abertura comercial no exterior, e o cacau, um dos frutos mais importantes para a economia do país, sofria com o ápice da vassoura-de-bruxa, praga que provocou queda drástica na produção. O cenário parecia desfavorável, mas foi nele que o empresário Marco Lessa começou a construir o império do cacau brasileiro. Com a criação de marcas como Origem Week e Chocolat Festival, o baiano passou a ser um dos líderes do setor que deixou de ser apenas uma commodity e tornou-se referência na produção de derivados de alta qualidade e atração de negócios e turismo.

Nascido em Guanambi, no alto sertão baiano, a cerca de 800 km de Salvador, Marco iniciou seu contato com o cacau na adolescência, quando se mudou para Ilhéus, sul do estado. Filho de mãe professora e pai bancário, ele decidiu seguir o caminho da publicidade, o que lhe rendeu oportunidades que influenciaram o seu destino: visitar Gramado, considerada na época como “Terra do Chocolate” e integrar a equipe de produção local da novela Renascer, da Rede Globo, em 1993, com as fazendas cacaueiras da Bahia como pano de fundo da trama.

Essas experiências trouxeram brilho nos olhos do visionário que nem o avanço da vassoura-de-bruxa – que assolava as plantações de cacau no sul da Bahia – tirou. No final da década de 90, Lessa criou a empresa de eventos e negócios MVU Empreendimentos, tentando estabelecer parceria com uma quase devastada cadeia produtiva nacional, que se recuperava da crise causada pela praga. Em 2009, Marco realizou a primeira edição do Chocolat Festival. Modesta, a estreia em Ilhéus contou com apenas 13 estandes e o sonho de dar certo. E deu. 

Atualmente o evento é considerado o maior do segmento na América Latina, com 49 edições pelo Brasil e pelo mundo, reunindo mais de 500 marcas, 350 expositores por edição e produtores, chocolateiros, chefs, pesquisadores e um público de mais de 1,2 milhões de apaixonados por chocolate. A importância dos feitos de Marco Lessa para a economia nacional foi reconhecida por três vezes na seleta lista dos cem empresários mais influentes do agronegócio no Brasil, eleita pela Revista Agroworld. 


Transformar o chocolate nacional em um mercado competitivo não era a única aspiração do “Embaixador do Cacau”, ele quis beneficiar as mais diversas cadeias da agricultura familiar e as zonas turísticas baianas, criando então o Origem Week, que soma quatro edições no estado e se espalhou para cidades como Brasília, Altamira, e países como Portugal e Bélgica.

“O cacau deixou de ser coadjuvante. O número de produtores de chocolate da mais alta qualidade só cresce e se fortalece no cenário mundial. O Brasil tem produtos incríveis, além do cacau e do chocolate, como a castanha do Pará, o guaraná, o café especial, o charuto e outros tantos que decidimos expandir para um evento paralelo. A motivação é a mesma: mostrar nossos produtos ao mundo e incentivar novos negócios”.


Internacionalização e Turismo


Com o objetivo de fortalecer a reputação brasileira no mercado global, Marco Lessa encabeça anualmente Missões Internacionais com foco na valorização da origem e sustentabilidade do cacau e chocolate brasileiros, conectando produtores locais a chefs, especialistas e comércio exterior, com forte presença de comitivas do Pará e da Bahia, responsáveis por mais de 80% da produção de cacau no país

A mais recente Missão foi realizada em Paris, na França, durante o Salon du Chocolat 2025, na qual o Brasil foi recebido como País de Honra e Marco liderou a delegação nacional composta por produtores locais, fabricantes e autoridades. A tratativa econômica com o país importador rendeu 5 milhões de euros em potenciais negócios. Para 2026, a MVU planeja outras incursões estratégicas na Europa e América. 

Além de criar um ambiente favorável para expansão comercial e troca de conhecimentos, o intercâmbio reposiciona a Bahia e o Brasil no mapa do turismo de negócios e gastronômico, promovendo destinos como a Estrada do Chocolate, na Costa do Cacau da Bahia, e a Rota Transamazônica no Vale do Xingu, no Pará, que trazem no roteiro atividades de imersão na cultura do cacau, com visitas a fazendas, conhecendo as etapas de cultivo e colheita, e degustação na fábricas, beneficiando uma larga cadeia produtiva composta por famílias que vivem da agricultura e turismo rural. 


Bahia desponta no mercado global


Líder em exportação e segundo maior produtor de cacau do Brasil, a Bahia que antes exercia o papel de fornecedor, passou nas últimas décadas a promover o beneficiamento total do produto, transformando em derivados comuns como chocolate, manteiga, cacau em pó, nibs e mel, além de produtos cosmético e farmacêutico. 

Nesse cenário, o estado começa a ser reconhecido como uma das promessas na produção de chocolates finos, movimento graças ao processo bean-to-bar (do grão à barra), em que surgiram centenas de marcas que atuam no controle e aprimoramento da qualidade do chocolate, e a eventos como o Chocolat Festival e Origem Week, projetos que ajudaram a internacionalizar o cacau brasileiro, atraindo olhares do mundo para as práticas sustentáveis e inovadoras que agregam valor ao produto e promovem a conservação ambiental e o desenvolvimento social.


Serviço:

O quê: Salon du Chocolat Brasil

Quando: 10 a 13/12/2026

Onde: Centro de Convenções de Salvador/BA

Informações:https://www.instagram.com/salonduchocolatbrasil?igsh=MXE2YnBmenNicHl0dg== 


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