Fotos: Vatican News
O Papa Leão XIV celebra, nesta sexta-feira (08), o primeiro aniversário de sua eleição à Sé de Pedro. Foram doze meses marcados por audiências, encontros, mensagens, grandes viagens ao Oriente Médio e à África, ajustes na Cúria Romana e uma intensa atuação diplomática em defesa da paz.
O primeiro Habemus Papam, em 8 de maio de 2025, foi anunciado à multidão reunida na Praça São Pedro após a fumaça branca surgir da chaminé da Capela Sistina. Pouco depois, o cardeal protodiácono proclamava: “Robertum Franciscum…”. Às 19h23, horário local, o novo pontífice surgia na sacada central da Basílica de São Pedro: Robert Francis Prevost tornava-se o 267º sucessor de Pedro, assumindo o nome de Papa Leão XIV.
Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, em Chicago, e com forte ligação pastoral ao Peru, onde viveu por mais de duas décadas, o agostiniano chegou ao pontificado com formação em matemática, línguas e Direito Canônico, além de experiência como pároco, bispo e prefeito do Dicastério para os Bispos. Em sua primeira mensagem, pronunciada em italiano, espanhol e latim, a palavra “paz” foi repetida dez vezes.
Ao longo do primeiro ano, a defesa de uma paz “desarmada e desarmante” tornou-se marca constante do pontificado. Do apelo “Nunca mais a guerra!” no primeiro Regina Caeli aos discursos contundentes contra a violência e o rearmamento, Leão XIV intensificou a diplomacia vaticana — muitas vezes descrita por ele como um trabalho feito “nos bastidores”.
O pontífice encontrou-se com lideranças do Oriente Médio, recebeu os presidentes da Palestina e de Israel, Mahmoud Abbas e Isaac Herzog, e manteve conversas com chefes de Estado de países em conflito, incluindo o presidente russo Vladimir Putin. Também manifestou disponibilidade para que o Vaticano acolhesse negociações entre Rússia e Ucrânia.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky esteve com o Papa em três ocasiões, duas delas em Castel Gandolfo, residência de verão retomada por Leão XIV após mais de uma década.
Entre as viagens marcantes, destacou-se a peregrinação africana, com visitas à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. O Papa levou mensagens de fraternidade, justiça social e defesa dos direitos humanos, denunciando desigualdades e incentivando o protagonismo dos jovens.
Antes disso, o pontífice já havia visitado Turquia e Líbano, em viagem que reforçou o diálogo ecumênico e inter-religioso, incluindo encontros com o patriarca Bartolomeu e momentos simbólicos como a oração diante do porto de Beirute.
O Jubileu da Esperança reuniu mais de um milhão de jovens em Roma, culminando com a vigília e a missa em Tor Vergata. Em diversas ocasiões, o Papa incentivou as novas gerações a superarem a superficialidade e a construírem relações autênticas.
A migração também ganhou destaque no pontificado. Leão XIV denunciou o tratamento desumano dado a migrantes e anunciou visitas a Lampedusa e às Ilhas Canárias, reforçando a continuidade da atenção pastoral iniciada por Papa Francisco.
Internamente, o Papa iniciou mudanças na Cúria Romana, com novas nomeações e reformas financeiras, além da publicação do novo regulamento da Cúria e medidas para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência na Santa Sé.
O primeiro ano de pontificado deixa diretrizes claras: centralidade da missão, atenção às periferias e diplomacia ativa em conflitos. Os próximos meses devem consolidar a marca do pontificado, com a publicação da primeira encíclica e novas viagens internacionais, incluindo uma visita desejada à América Latina.