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Ilê Aiyê leva resistência afro-indígena de Maricá para a avenida no Carnaval 2026

Ilê Aiyê leva resistência afro-indígena de Maricá para a avenida no Carnaval 2026
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

06/02/2026 1:10pm

Foto: Estúdio Casa de Mainha 

O Ilê Aiyê celebra 52 anos de história no Carnaval de Salvador reafirmando sua trajetória de resistência, ancestralidade e afirmação identitária. Em 2026, o primeiro bloco afro do Brasil apresenta o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, promovendo um diálogo entre Bahia e Rio de Janeiro a partir das memórias e lutas que moldam a identidade brasileira.

Ao destacar o legado afro-indígena de Maricá, o bloco transforma o desfile em um espaço de reverência e aprendizado, reforçando o Carnaval como território de memória, educação e expressão política. A proposta amplia o olhar sobre os povos originários e afrodescendentes, conectando suas histórias de resistência ao presente.

A edição de 2026 marca também a estreia do reinado da Deusa do Ébano Carol Xavier, moradora de Sussuarana, ao lado das princesas Sarah Moraes, também de Sussuarana, e Stephanie Ingrid, do Nordeste de Amaralina. Elas conduzirão o Mais Belo dos Belos na maior festa popular do planeta.

Programação

A agenda começa no sábado (14), às 20h, com a tradicional cerimônia de saída no Circuito Mãe Hilda, no Curuzu — um dos momentos mais simbólicos do Carnaval do Ilê. O ritual reúne cânticos de exaltação aos orixás e à ancestralidade, com oferendas como milho, pipoca e pó de pemba dedicadas a Oxalá e Obaluaê, além da tradicional soltura de pombas brancas.

Após a saída do Terreiro Ilê Axé Jitolú, o trio segue até o Plano Inclinado da Liberdade. Já na madrugada de domingo (15), às 2h, o bloco realiza seu primeiro desfile oficial no Circuito Osmar (Campo Grande), saindo do Corredor da Vitória em direção à Praça Castro Alves.

Na segunda-feira (16), a concentração ocorre às 18h, também no Corredor da Vitória, com saída às 19h pelo Circuito Osmar. O cortejo, embalado pela Band’Aiyê, apresenta o tema em alegorias e figurinos, com o trio transformado em altar cênico para a rainha e suas princesas.

A terça-feira (17) é marcada pela tradicional pipoca do Ilê, novamente no Circuito Osmar, encerrando a participação do bloco no Carnaval 2026.

Bloco Erê

O domingo (15), às 16h, é dedicado ao Bloco Erê, ala infantil do Ilê Aiyê, que deve reunir mais de 800 crianças e adolescentes no Curuzu. Criada em 1992, a Banda Erê promove formação cultural e fortalecimento da autoestima de crianças negras, mantendo viva a missão educativa do bloco. As fantasias serão distribuídas gratuitamente no dia do desfile, e pais e responsáveis também receberão camisas para acompanhar o cortejo.

Conexão com Maricá

O tema de 2026 fortalece a parceria entre o Ilê Aiyê e o município de Maricá, construída ao longo dos últimos três anos por meio do projeto Ilê in Maricá, que oferece oficinas gratuitas de dança, percussão, estética negra e tranças. A criação da Universidade Livre do Carnaval (Unicarnaval) amplia essa colaboração, estabelecendo um espaço permanente de formação em cultura afro-brasileira e cidadania.

Fantasias

As fantasias estão à venda na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, de segunda a sexta, das 8h às 17h (até 20h na semana do Carnaval). O investimento é de R$ 1.000 e garante acesso ao bloco no sábado e na segunda-feira.

Realizado pelo Ilê Aiyê e pelo Ministério da Cultura, o Carnaval 2026 do bloco conta com patrocínio do Grupo Belov, IFood, Prefeitura de Salvador e Maricá, além do apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio do Programa Ouro Negro, entre outros parceiros.

Com tambores, turbantes e cocares, o Ilê reafirma em 2026 que a avenida é território de memória viva — onde ancestralidade e futuro desfilam lado a lado.