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Lorena Bispo é eleita Deusa do Ébano 2025 e emociona plateia na Noite da Beleza Negra

Lorena Bispo é eleita Deusa do Ébano 2025 e emociona plateia na Noite da Beleza Negra
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

16/02/2025 5:01pm

Fotos: André Frutuôso

A Noite da Beleza Negra, evento emblemático do Ilê Aiyê, coroou no último sábado (15) sua nova soberana: Lorena Bispo, de 22 anos. A jovem, que em 2024 havia conquistado o título de princesa, retornou ao concurso com determinação e encantou a plateia na Senzala do Barro Preto com uma performance marcante.

Ao som de Ilê Original, Lorena brilhou no palco com uma coreografia envolvente, arrebatando o público e cumprindo sua promessa: “Quando eu voltar, vou brocando”. A apresentação foi tão impactante que a apresentadora Arany Santana precisou acalmar os espectadores antes de anunciar o resultado.

Residente de Itapuã e influenciadora digital com mais de 30 mil seguidores, Lorena também é dançarina e escritora. A emoção tomou conta da jovem ao perceber a comoção do público: “Quando vi aquele mar de gente gritando, tomei um barravento ali”, disse, entre risos. Agora, com a coroa, ela se prepara para liderar os foliões do Ilê Aiyê durante o Carnaval cinquentenário do bloco afro.

Trajetória e legado

A história de Lorena com a Noite da Beleza Negra tem raízes profundas. Seu avô, já falecido, era cambista e vendia ingressos na porta do evento, mas sua mãe, Rosângela, nunca teve a oportunidade de assistir à celebração até 2024, quando a filha foi eleita princesa. Agora, em 2025, ela viu Lorena conquistar o título máximo. “Minha mãe sempre teve o desejo de viver esse lugar, mas, enquanto menina preta, não sentia que tinha legitimidade. Hoje, essa realeza também reverbera nela”, destacou a campeã.

As princesas do Ilê

O pódio da Noite da Beleza Negra também consagrou Tainã Santana Vieira, psicóloga de 31 anos da Lapinha, e Stéphanie Ingrid Souza, arte-educadora de 23 anos do bairro da Santa Cruz, como princesas do Ilê Aiyê para o Carnaval 2025.

Tainã ressaltou a importância do concurso para fortalecer a identidade de mulheres negras e destacou a influência de sua filha nesse processo: “Quero que ela cresça fortalecida em sua identidade. Ser uma referência viva para ela é essencial”. Já Stéphanie, que participou pela segunda vez, celebrou o reconhecimento: “Desde pequena, sonhei em estar aqui. Esse título é uma grande responsabilidade, mas também um direito ancestral”.

Uma noite de celebração

Com o tema Curuzu é o mundo – E a porta de entrada é a percussão, a 44ª edição do evento reafirmou a Noite da Beleza Negra como um marco de protagonismo e valorização da cultura afro-brasileira. A plateia entoou a música Fé, de Iza, interpretada por Jennifer Nascimento e Cris Vianna, e vibrou com a performance de Larissa Luz, que narrou a história de resistência do Ilê Aiyê. O encerramento ficou por conta da cantora Rachel Reis.

Homenagem a Dete Lima

Outro momento marcante da noite foi a homenagem à figurinista Dete Lima, que desde 1974 traduz em tecidos e amarrações a essência do Ilê Aiyê. A atriz Denise Correia apresentou um desfile especial de antigas Deusas do Ébano para celebrar a trajetória da Ekedi mais velha do terreiro Acé Jitolu.

Val Benvindo, uma das apresentadoras do evento, entregou a Dete Lima um troféu de reconhecimento: “É a senhora que nos torna mais belas e empoderadas. Pedimos sua bênção e reverenciamos sua história”, declarou.

A 44ª Noite da Beleza Negra contou com a direção artística de Ridson Reis e reuniu artistas como Band’Aiyê, Afrobapho e a Deusa do Ébano 2024, Larissa Valéria, que passou o manto para Lorena Bispo. Uma noite de celebração, empoderamento e ancestralidade, que reafirma o Ilê Aiyê como um dos maiores expoentes da cultura afro-brasileira.