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Mostra “Festas e Flores de Todos os Santos” celebra a ancestralidade e as tradições populares baianas em uma experiência sensorial que une cor, espiritualidade e memória
Fotos Ascom
O Museu da Misericórdia recebe, a partir desta quinta-feira (9), a exposição Festas e Flores de Todos os Santos, da artista visual baiana Teka Portela. Em cartaz até o dia 31 de janeiro, a mostra convida o público a mergulhar na cultura baiana por meio de pinturas e instalações que exaltam as festas populares, a fé e a força simbólica das flores como expressão de identidade e ancestralidade.
A abertura oficial acontece hoje, com vernissage para convidados, reunindo arte e música em uma programação especial que inclui apresentação de Amadeu Alves e sua filha, Juliana Alves. A proposta da exposição é criar uma jornada sensorial e afetiva, onde o sagrado, as cores vibrantes e os rituais que marcam o cotidiano do povo baiano se transformam em arte.
Com curadoria de Rafael Dantas, a mostra percorre celebrações emblemáticas da Bahia, como a Festa de Iemanjá, a Lavagem do Bonfim e homenagens a santos populares como Santa Bárbara, Santo Antônio e São João. As flores ganham protagonismo e significados próprios: o vermelho remete a Iansã, o azul evoca Iemanjá, os lírios brancos representam Santo Antônio, os girassóis iluminam São João e as flores brancas simbolizam a paz de Cristo, traduzindo visualmente o sincretismo religioso e a espiritualidade presentes na cultura baiana.
A escolha do Museu da Misericórdia reforça o diálogo entre arte, história e memória. Recém-reaberto, o espaço reafirma seu papel como importante polo cultural de Salvador. Para Teka Portela, expor no local carrega também um valor afetivo e simbólico, ligado à trajetória de sua família e ao caráter filantrópico da instituição.
Autodidata, a artista construiu uma obra profundamente conectada à Bahia, às mulheres, à fé e às tradições populares. Influenciada pela avó florista e pela mãe pintora, Teka transforma flores, cores e símbolos em narrativas visuais que falam de devoção, pertencimento e resistência cultural. Seu processo criativo também dialoga com a sustentabilidade, ao utilizar materiais reciclados e tintas à base de água, transitando entre o figurativo e o abstrato com liberdade poética.
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