Foto: José Cupertino
Salvador vive um verdadeiro boom das corridas de rua. Provas como a Corrida 100% Você, a Corrida do Vitória e a Corrida do Bahia têm reunido milhares de participantes e consolidado a capital baiana como um dos principais polos do turismo esportivo no Nordeste. Mas, muito antes do tiro de largada, existe uma engrenagem complexa que garante que cada prova aconteça com segurança e organização.
Segundo o diretor técnico da Federação Baiana de Atletismo, Assis Júnior, o impacto vai além da prática esportiva. Em entrevista à Agência Salvador, em 2024, ele destacou que a cidade realiza de duas a quatro corridas por fim de semana, com média de até 10 mil participantes por prova — sem contar acompanhantes e espectadores. O resultado é um efeito direto sobre hotéis, restaurantes, transporte e comércio.
Por trás de cada medalha entregue há, em média, seis meses de preparação. O profissional de educação física Felipe Chokito, diretor da assessoria Runners Club, explica que os principais desafios envolvem a legalização do evento e a captação de patrocínios.
A definição do percurso é estratégica e depende do perfil do público-alvo. Já a parte burocrática exige diálogo com a Central de Licenciamento de Eventos (CLE), responsável por organizar a documentação e as autorizações necessárias, além do pagamento de taxas públicas.
A realização de uma corrida envolve ainda uma força-tarefa com diversos órgãos municipais, como a Secretaria Municipal de Ordem Pública de Salvador, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador, a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador, a Vigilância Sanitária de Salvador e a Superintendência de Trânsito de Salvador, além do alvará específico para a realização do evento.
Se organizar é complexo, equilibrar o orçamento também é. Guilherme Queiroz e Humberto Netto, envolvidos nas provas ligadas ao Esporte Clube Vitória e ao Esporte Clube Bahia, apontam que os kits dos atletas — com camisa, medalha e brindes — representam a maior fatia dos custos.
Por outro lado, o retorno é significativo. Uma corrida de grande porte, com mais de 8 mil inscritos, pode movimentar direta e indiretamente mais de R$ 1 milhão, segundo os organizadores. Além disso, há geração de empregos temporários nas áreas de montagem de estrutura, atendimento médico, segurança, sonorização e apoio logístico.
Nos dois dias que antecedem a prova, o ritmo é intenso. Estruturas como pórticos, palcos, postos de hidratação e áreas médicas começam a ser montadas, enquanto equipes técnicas monitoram cada detalhe. Mesmo após a montagem, a atenção permanece redobrada até 24 horas antes da largada para evitar imprevistos.
Quando o cronômetro dispara e os corredores tomam as ruas, o espetáculo esportivo é apenas a parte visível de uma operação que envolve planejamento minucioso, articulação institucional e impacto econômico relevante — elementos que ajudam a transformar Salvador em uma cidade que, definitivamente, corre.