Economia

União Europeia barra produtos de origem animal do Brasil; entenda o impacto para as exportações

Restrição alcança os 27 países do bloco e foi motivada pela avaliação dos controles brasileiros sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

União Europeia barra produtos de origem animal do Brasil; entenda o impacto para as exportações
Da Redação

Da Redação

03/09/2026 10:25am

A União Europeia passa a impedir, a partir desta quinta-feira (3), a entrada de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A restrição alcança os 27 países do bloco e afeta exportações de carne bovina, suína e de frango, além de pescados, ovos e mel. 

Segundo as informações apresentadas, a decisão não decorre da identificação de contaminação nos produtos brasileiros, mas da avaliação europeia de que os mecanismos adotados pelo país para controlar o uso de antimicrobianos na produção animal são insuficientes.

As normas europeias restringem o emprego dessas substâncias para estimular o crescimento dos animais e também estabelecem limites para medicamentos veterinários considerados importantes para tratamentos humanos. Desde o anúncio do bloqueio, em maio, o Brasil adotou medidas para tentar atender às exigências, entre elas a proibição de determinados antimicrobianos e a implementação, pelo setor pecuário, de um protocolo de rastreamento dos animais. 

Nesta semana, técnicos europeus realizam uma auditoria nas cadeias brasileiras de frango e mel. A inspeção termina na sexta-feira (4), enquanto a análise do relatório está prevista para novembro.

Os efeitos tendem a variar entre as cadeias produtivas. No frango, cujo ciclo de produção gira em torno de 45 dias, o setor trabalha com a possibilidade de retomada das vendas ainda em 2026. Para a carne bovina, a adequação pode levar mais tempo, já que um animal demora de 24 a 36 meses para chegar ao abate dentro das novas exigências. 

A União Europeia responde por 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina, segundo a Abiec, mas tem peso estratégico pela demanda por cortes nobres. No mercado de mel, a suspensão ocorre depois de as vendas brasileiras ao bloco dobrarem no primeiro semestre, alcançando US$ 6,3 milhões.