Crônica

Que venha a primavera!

Que venha a primavera!
Verônica Villas Bôas

Verônica Villas Bôas

19/04/2021 11:31am

Se prestarmos um pouco mais de atenção às mensagens que a natureza nos envia, perceberemos que cada estação do ano traz reflexões bem específicas. Muitas vezes não conseguimos alcançar a compreensão dessas reflexões, mas elas estão aí o tempo todo. 

Enquanto fazíamos esta edição, vivíamos o pior momento da pandemia do coronavírus no Brasil e também no nosso Estado. A cada dia que passava, éramos forçados a conferir dados e atualizar informações, tamanha era a velocidade das notícias e atualizações no cenário da pandemia. Diante de um cenário tão difícil, era imensa a minha dificuldade em buscar inspiração para esta carta de abertura, na qual, por hábito, sempre busco trazer uma mensagem positiva. Mas no sprint final do fechamento desta edição, passamos pela data que marcava o início do outono e a inspiração veio como um passe de mágica. A mensagem que eu queria passar estava bem ali! 

No dicionário, a palavra “outono” significa: período da vida que se aproxima da velhice; ocaso; tempo de colher. O outono é a estação do ano que nos convida à renovação da vida e ao amadurecimento. 

Esta é a estação da transição entre os extremos de temperatura, entre o verão e o inverno. Época de perdas e ganhos para as plantas, que perdem as suas folhas para dar lugar a novas folhagens e à chegada da primavera. Essa é exatamente a imagem que nos vem à mente quando pensamos no outono. Mas você já parou para pensar por que isso acontece? Se as árvores não deixassem as suas folhas caírem durante o outono, não sobreviveriam até a próxima estação e jamais vivenciariam a primavera. 

As folhas se queimariam com o frio do inverno e, assim, os ciclos de respiração delas acabariam bruscamente, resultando no fim da sua vida. Um ciclo natural, quando olhamos isoladamente a reflexão que esta estação do ano nos traz. 

Estamos vivendo dias tristes, momentos de grandes perdas para tantas famílias e, obviamente, não é normal esta dolorida experiência pela qual todos nós estamos passando. Mas, mesmo assim, quando tudo isto passar (porque vai passar!), ainda teremos a primavera e, junto com ela, a oportunidade de sairmos desta experiência com a alma renovada e transformados em seres verdadeiramente humanos e melhores do que jamais fomos! 

Temos a obrigação de sair desta pandemia com uma nova consciência e sendo parte integrante de uma geração capaz de gestar um futuro com o resgate dos valores que realmente importam. 

Estávamos perdendo os nossos valores, os nossos princípios, e estamos agora vivendo o “nosso outono”. É hora de perseverar para prosperar! Renovar a nossa folhagem como quem renova a alma. Com a oportunidade de resgatar os nossos valores.

Torço para que tudo isto passe logo e que o outono abra as portas para a primavera, de forma que ela nos invada, permitindo-nos florescer e sorrir novamente. 

Esta é a mensagem que quero passar nesta edição. Mais uma edição em que permanecemos falando da COVID-19 e dos seus impactos nas nossas vidas. Mas escolhemos falar de perseverança. Escolhemos trazer mensagens que nos mostrem caminhos. Escolhemos discutir soluções e alternativas, porque somente assim poderemos e conseguiremos seguir em frente. 

Tenho a honra de fechar esta edição com uma crônica assinada por Rogério Flausino, vocalista da banda Jota Quest, que de pronto aceitou escrever para nós. Ele conta na sua crônica a história da canção “Dias Melhores”. Uma verdadeira lição de perseverança por meio de uma letra que traz uma mensagem tão atual. 

“Vivemos esperando dias melhores, dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás. Vivemos esperando o dia em que seremos melhores. Melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo. Vivemos esperando o dia em que seremos para sempre”. (Rogério Flausino – Jota Quest) 

Que venha a primavera e, com ela, o nosso sorriso!


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