No Dia da Mulher, uma reflexão sobre o protagonismo feminino no mundo do vinho
Por July Lopes Neste Dia Internacional da Mulher, me peguei refletindo sobre o papel feminino em diferentes universos culturais. Um deles, cada vez mais i...
Olorum Kosi Pure assim nos despedimos dos corpos de nossos irmãos de Axé. Para as religiões de matriz africana nossa alma é imortal e nossos antepassados seguem orientando e protegendo a sua família. Para nós a morte não é o fim mudamos de plano, mas continuamos a nossa jornada. No candomblé, o corpo do adepto falecido passa por rituais para o desprendimento da alma e o corpo vazio é devolvido a natureza, assim Ikú (a morte) recebe o Egum (espírito) no Balé (terra dos mortos).
A morte é algo que independente da religião vem impregnado de tristeza, a ausência física traz consigo o peso da dolorosa saudade. Contudo a certeza da imortalidade do espírito abranda essa dor. Assim o provo do axé não dedica um dia aos mortos, pois a morte leva apenas a carne que a natureza absorve e transforma. O povo do axé celebra seus antepassados, toca o chão e o peito em reverencia aqueles que vieram antes de nós.
Em África, tradicionalmente, logo após o luto realiza-se uma comemoração, nesse momento prepara-se todas as comidas que o falecido gostava, arruma-se uma oferenda com roupas e objetos do falecido que são colocados nas águas em hora ao falecido. No Brasil esse ritual foi incorporado ao candomblé com o nome de Axexé ou Zerim, porém no candomblé esse ritual é realizado apenas para iniciados e com algumas variações dependendo da nação e da graduação do falecido. Contudo tanto o ritual africano como o brasileiro são comemorações pela partida para outro plano.
Dentro do escopo das religiões de matriz africana existe um culto específico aos antepassados, o Culto Egunguns (Candomblé de Eguns), esse mantém integralmente os ritos originários da África, a casa mais conhecida fica em Itaparica comandado pela família De Paula a anos, o Ilê Agboulá, cercados de mistério esse culto tem por finalidade preservar os laços coletivos com a ancestralidade africana. Apesar da beleza do culto, ele é motivo de medo e respeito, poucos religiosos de matiz africana se encorajam a participar, reservando-se a participar apenas em momentos cruciais como a partida de uma Iyalorixá ou Babalorixá.
Com a religiosidade africana aprendemos que a morte não é o fim, mas a porta para um novo plano, e assim exaurida a dor da saudade comemoramos a partida dos nossos entes com honrarias dignas de reis. Pois, hoje pisamos no solo sacralizados pelo sangue de reis e rainhas aviltados pela escravidão, e ainda que passem séculos a dor continua. Externando o respeito e a hora de sermos descendentes destes guerreiros cultuamos aos Babas, as Aparakas e os Egunguns. Cultuamos aquele que mantiveram nossa cultura e tradições superando toda a perversidade da escravidão, do racismo e do preconceito.
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