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Por July Lopes
Neste Dia Internacional da Mulher, me peguei refletindo sobre o papel feminino em diferentes universos culturais. Um deles, cada vez mais interessante, é o mundo do vinho.
Durante séculos, o vinho esteve associado à cultura, ao poder e à sofisticação social. Civilizações antigas o celebraram como símbolo de hospitalidade, espiritualidade e celebração da vida. Ainda assim, por muito tempo, esse universo foi narrado quase exclusivamente a partir de uma perspectiva masculina.
Nas últimas décadas, essa história começou a mudar também no campo econômico.
Hoje, as mulheres ocupam um papel cada vez mais relevante no consumo global de vinhos. Estudos de mercado indicam que elas representam mais da metade dos consumidores em diversos países e respondem por cerca de 59% das compras de vinho nos Estados Unidos, um dos maiores mercados do mundo.
Esse dado revela uma transformação importante. As mulheres não apenas apreciam vinho, elas influenciam diretamente as decisões de compra e as tendências do setor.
Ao mesmo tempo, o mercado vínico ainda carrega desigualdades históricas. Mesmo com o crescimento da participação feminina no consumo, os homens continuam predominando entre produtores, enólogos e executivos da indústria em diversas regiões vinícolas.
Essa diferença revela uma mudança em curso. As mulheres deixam de ocupar apenas o papel de consumidoras e passam a atuar como agentes de transformação dentro do mercado do vinho.
No Brasil, o cenário também chama atenção. Enquanto alguns mercados tradicionais enfrentam desaceleração no consumo, o país tem registrado crescimento consistente no interesse pela cultura do vinho.
Hoje, estima-se que mais de 44 milhões de brasileiros consumam vinho regularmente, um indicativo da expansão dessa cultura no país.
Dentro desse crescimento, o protagonismo feminino tem papel decisivo.
Mais do que um dado estatístico, trata-se de uma mudança de comportamento. A presença feminina tem impulsionado novas tendências de consumo, com maior valorização de experiências ligadas à gastronomia, ao turismo enogastronômico e aos encontros sociais.
O vinho nunca foi apenas uma bebida.
Historicamente, ele funciona como uma linguagem social, um elemento de conexão entre pessoas, culturas e histórias.
Compreender o vinho, sua origem, terroir, métodos de produção e harmonizações, amplia o repertório cultural de quem o aprecia. O sociólogo francês Pierre Bourdieu descreveu esse tipo de conhecimento como capital cultural, um conjunto de códigos simbólicos que influenciam a forma como indivíduos circulam em determinados ambientes sociais.
Nesse contexto, a educação vínica feminina representa algo que vai além do aprendizado técnico.
Ela amplia a presença da mulher em ambientes gastronômicos, sociais e profissionais. Saber escolher um vinho, conduzir uma degustação ou compreender a história por trás de um rótulo também se transforma em uma forma sofisticada de hospitalidade e liderança social.
A história do vinho conta com exemplos marcantes de protagonismo feminino.
Um dos nomes mais emblemáticos é Barbe-Nicole Clicquot, conhecida como Veuve Clicquot. No século XIX, ela revolucionou a produção de champanhe ao desenvolver técnicas que permitiram maior clareza e qualidade à bebida, consolidando uma das marcas mais icônicas da história do vinho.
Outro exemplo histórico é Hildegard von Bingen, pensadora medieval que escreveu sobre as propriedades medicinais do vinho e sua relação com o equilíbrio do corpo.
Essas trajetórias mostram que a presença feminina no universo vínico não é uma novidade contemporânea. Trata-se de uma herança histórica que apenas agora começa a receber maior reconhecimento.
Hoje, o vinho se posiciona cada vez mais como um elemento de experiência. Ele está presente em encontros sociais, eventos culturais, turismo gastronômico e momentos de celebração.
Mais do que uma bebida, o vinho tornou-se uma plataforma de conexão entre pessoas.
Talvez seja por isso que a frase da especialista brasileira Dayane Casal ecoe com tanta força entre apreciadores da cultura do vinho.
"A educação vínica feminina é uma das mais valiosas joias que uma mulher pode ter para a festa da vida.”
No fundo, o vinho continua representando algo simples e poderoso. A arte de celebrar a vida ao redor de uma mesa.
Quando mulheres ocupam esse espaço com conhecimento, sensibilidade e presença, o vinho deixa de ser apenas tradição. Ele se transforma em protagonismo cultural, social e econômico.
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