Coluna Business Bahia: “Ceda e vença, curve-se e fique direito”
Jefferson Beltrão, jornalista, radialista, palestrante e instrutor de oratória e media training
Só fui entender o provérbio atribuído à sabedoria chinesa e que serve de título para este texto depois que meu pai, do alto da sua sensatez, traduziu para mim: “Reconheça um erro e acerte, seja humilde e respeitado”.
Prestes a me mudar para Salvador a convite da Manchete FM, aquelas palavras me serviram de norte dali para frente. O locutor mineiro que tinha saído de Varginha, no sul das Gerais, para estudar comunicação e continuar trabalhando com rádio dessa vez no Rio de Janeiro, precisava agora andar com as próprias pernas.
Era julho de 1985. Tinha me formado em jornalismo havia um ano. Estava há cinco morando com meus pais em Niterói. Trazia na bagagem a experiência de redator e locutor da Vanguarda FM, em Minas Gerais, meu primeiro emprego, e, já no Rio, locutor das rádios Eldorado, Ipanema, Capital e Fluminense, todas AM.
E também a vivência como ator do Teatro Estável de Niterói, companhia criada pela saudosa e querida Maria Jacintha, autora e diretora que fez história na radionovela e no teatro do Rio, e muito me ensinou na arte da expressividade. Principalmente a verbal. Queria ser mais do que um locutor de voz bonita. Passei por comédia, infantil e drama. Com pinta de canastrão, reconheço. Mas feliz com a experiência. Até mímica fiz num curso de Luís de Lima, um dos precursores do gênero no Brasil.
Mas tinha pela frente a Bahia. Depois da Manchete, onde atuei também como coordenador de programação, tive minha primeira passagem pela A Tarde FM. Nessa época me deliciava com a experiência de estar no ar como locutor e operador de áudio, o que já era comum nas FMs em geral mas ainda não tinha vivenciado.
Migrei depois para a Salvador FM, que na época pertencia ao Sistema Globo de Rádio. E lá ganhei mais visibilidade. O programa que apresentava, Good Times, com sucessos românticos do passado, era um dos líderes de audiência no horário. Foi o trabalho que mais me projetou para o mercado radiofônico de Salvador até então.
O resgate do jornalismo aconteceu quando conquistei uma vaga de repórter no antigo Correio da Bahia. Durante oito anos passei pelas editorias de Esporte, Cidade, Política e Economia. Tive o privilégio de cobrir Bahia e Internacional na Fonte Nova na conquista do segundo título nacional do tricolor, a elaboração da Constituição da Bahia e da Lei Orgânica de Salvador, a primeira campanha de Lula para a presidência da República, todo o processo de liquidação do Banco Econômico. Era fascinante acompanhar os fatos que faziam história na Bahia.
Chegar à TV foi consequência. Primeiro a Aratu, onde apresentei e fui editor de texto do TJ Bahia 2ª edição; depois TV Itapoan, onde também apresentava e era o editor-chefe do telejornal da noite; e, por fim, TV Bahia, onde fiquei à frente do BATV junto com a querida Katia Guzzo e também como editor-chefe.
A essa altura, já estava também na Globo FM, onde atuei por 25 anos como locutor e coordenador de jornalismo. Tive passagem também pela CBN como apresentador e diretor de jornalismo, quando a emissora, a exemplo da Globo FM, era gerida em Salvador pela Rede Bahia.
Conquistas – e muito suor – dia após dia. Com direito também a um baque: meu desligamento da Rede Bahia depois de 27 anos bem vividos profissionalmente. No primeiro momento, o chão desaparece. Depois você percebe que é a chance de enxergar novas possibilidades, expandir noutras direções. Profissionalizei minha empresa, a JB Comunicação, me qualifiquei com novos cursos de formação, procurei me manter na mídia e aprofundei o prazer de ensinar.
Hoje tenho a honra de atuar como apresentador da A Tarde FM (de novo) e responder pelo conteúdo da emissora, apresentar programas também na TV Alba e ministrar palestras e cursos ligados à oratória e media training. E também ser cidadão soteropolitano. Aliás, quando recebi o título na Câmara Municipal, pude sentir na pele o que meu pai tinha me sinalizado lá trás: estava ali colhendo os frutos dos erros e acertos... e sendo respeitado. Obrigado, Bahia!