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Você já reparou como todo mundo está vendendo Studio como se fosse a jogada do século? Provavelmente um corretor te ligou animado, prometendo 1% ao mês. Mas essa conta raramente é feita do jeito certo. Ela simplesmente some com a documentação, o mobiliário, a vacância, o condomínio e a administração. Quando você soma tudo, o número muda completamente.
A verdade é que a oferta de compactos cresce muito. E para esse investimento continuar fazendo sentido, a demanda precisa acompanhar. Só que, hoje, ela não acompanha mais. Em várias regiões, dezenas de imóveis disputam o mesmo inquilino, a mesma plataforma de temporada, o mesmo perfil de comprador apressado. Quem não pensou nisso antes de comprar sente a dor depois.
Por isso, antes de qualquer coisa, você precisa responder uma pergunta simples: o que você quer com esse imóvel? Porque um compacto que rentabiliza bem nem sempre é o que mais valoriza. São objetivos diferentes. E confundir os dois é onde a maioria erra feio.
Se você quer comprar, segurar e vender com lucro daqui a alguns anos, o histórico pede cuidado. Studio não tem sido o caminho mais consistente para valorização. Agora, se o objetivo é colocar o capital para trabalhar no aluguel de temporada, ele pode ser interessante, desde que a escolha seja muito certa. Mas o que ninguém te conta é que Studio deixou de ser aquele investimento que você faz e some. O que vem depois da entrega das chaves exige decisão: montagem, operação, gestão. Se você não tem disposição para isso, ou não quer contratar quem faça, vale repensar antes de entrar.
Existem empresas que entregam o imóvel já montado e pronto para operar. Pode ser uma boa saída. Mas se essa empresa replica o mesmo padrão em dezenas de apartamentos, o seu fica igual a todos os outros. E esse custo de montagem entra na sua conta, reduzindo a rentabilidade real.
Diante disso, eu enxergo dois caminhos realmente sólidos para uma incorporadora que quer se destacar e construir reputação de longo prazo. O primeiro: um Studio com preço de entrada muito competitivo, custo de aquisição baixo, montagem enxuta, com tudo na conta final, isto é, documentação, mobiliário, taxas. Quanto menor esse número, maior a rentabilidade sobre o que você investiu. O segundo caminho é o oposto: um compacto com metragem generosa, onde uma pessoa consiga morar de verdade. Um Studio que se comporta como um quarto e sala, atendendo tanto aluguel convencional quanto temporada. Menos dependente de uma única frente. Eu aposto muito nessa ideia.
O que pouca gente considera antes de comprar é: quem mais está comprando nesse empreendimento? São investidores ou moradores? Qual é a intenção deles? Isso afeta a ocupação, a conservação do prédio e o quanto esse imóvel vai valer no futuro. O que está em alta hoje não é necessariamente o que envelhece bem. Um imóvel precisa ser avaliado pelo que ele vai ser daqui a cinco ou dez anos. Como esse produto se comporta quando a febre passar?
Portanto, compactos podem ser um bom investimento, sim. A diferença está no que você espera dele e no quanto você sabe antes de comprar. Quem decide baseado só na promessa de 1% de rentabilidade tem grande chance de ficar frustrado. Eu acredito muito nesse mercado. Mas acredito mais ainda que a escolha certa faz toda a diferença.
Para as incorporadoras que querem sair à frente, o recado é claro: não projete mais empreendimentos olhando apenas para a liquidez imediata da temporada. Invista em inteligência de mercado preditiva. A Duplamente Inteligencia de Mercado usa geotools, pesquisas quantitativas, qualitativas e cruza esses dados com índices reais de plataformas como Airbnb, Booking e Vrbo. E Identifica os vetores de crescimento que realmente vão valorizar o imóvel em cinco, dez anos.
Atenção incorporadores, mapeie profundamente o mercado dos seus futuros lançamentos, desde o estudo vocacional da área, definição de produto baseado em mercado futuro em cenários distintos e eduque seu cliente com informações de qualidade. Quebre o paradigma de que “Studio é sempre o melhor negócio”. Busque diferenciais. Porque saturação e vacância crescente já estão aí. A nova época exige desenho profundo da área, do conceito e do perfil de público. Quem fizer isso primeiro vai ser lembrado como referência. O resto vai ficar explicando por que seu ativo não valorizou. Você decide de que lado quer estar.