Laura Guimarães avalia o panorama econômico e o movimento da economia no Brasil
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Por Laura Guimarães, Mestre em Análise de Risco Sistêmico no Mercado Financeiro | CEO da Mérito Inteligência Financeira
Foto: Acervo Pessoal
O recente ataque coordenado de Israel e Estados Unidos ao Irã recoloca o mundo diante de um velho conhecido da macroeconomia: o choque geopolítico com impacto direto sobre energia, logística e confiança. Em economia internacional, conflitos no Oriente Médio não são eventos regionais — são variáveis globais.
O epicentro da preocupação está no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde transita parcela significativa do petróleo mundial. Ainda que não haja bloqueio formal permanente, basta a elevação do risco para que embarques sejam suspensos, seguros marítimos disparem e o chamado 'prêmio de guerra' seja imediatamente incorporado ao preço do barril.
A história ensina. Os choques de 1973 e 1979 consolidaram o fenômeno da estagflação — crescimento baixo com inflação elevada. Mais recentemente, ataques a infraestruturas petrolíferas na Arábia Saudita, em 2019, demonstraram que o gargalo logístico pode ser tão sensível quanto a produção.
O mercado reage em três frentes principais: alta do petróleo, fortalecimento de ativos considerados porto seguro (como dólar e ouro) e aumento da volatilidade nas bolsas. O efeito colateral é imediato: inflação pressionada e bancos centrais cautelosos.
Economistas de instituições como Capital Economics e Oxford Economics ressaltam que o impacto dependerá da duração do conflito e do grau de disrupção energética. O Fundo Monetário Internacional já vinha alertando que uma escalada regional poderia representar um choque negativo de oferta, com repercussões inflacionárias globais.
Para o Brasil, o canal de transmissão é claro: combustíveis, câmbio e expectativa de juros. Ainda que exportadores de commodities possam se beneficiar de preços elevados, o consumidor doméstico sente o peso via transporte, alimentos e custo financeiro.
Mais do que um evento militar, estamos diante de um teste para a resiliência do sistema econômico global. Em tempos de interdependência, a geopolítica deixou de ser pano de fundo e voltou a ser protagonista.
Fontes e Referências
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