A vida não é um Planejamento Estratégico
Maurício Magalhães é empresário da indústria criativa, sócio de grupos de marketing, audiovisual e entretenimento, conselheiro e apoiador de iniciativas culturais e sociais, com atuação voltada à educação e transformação do país.
Foto: Arquivo Pessoal
O melhor da vida é navegar, com vitórias e derrotas, erros e acertos. Todo dia, acordamos e lutamos para sermos saldo médio positivo. O pior risco é não ter sonhos e o “segundo pior” é ficar refém das conquistas passadas. Esses conceitos definem minha vida e minha trajetória profissional. Sei que tenho 66 anos, por me olhar no espelho todos os dias, porém continuo sentindo os mesmos medos e frios na barriga quando começo algo novo.
Moro em São Paulo há quase 21 anos, e confesso que amo essa, que passou a ser também minha cidade. Nasci em Salvador da Bahia, cidade que me definiu e forjou, carimbada em minha alma. E entendi tudo isso com o trecho da música de Gilberto Gil: “Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço, a Bahia já me deu régua e compasso”. Não navegaria pelo mundo sem essa régua e esse compasso. E olha que naveguei muito, e há muito ainda a navegar. Parar? Aposentar? Não estão nos meus desejos de futuro.
Fiz Colégio Marista, onde fui Presidente do Grêmio estudantil. Nesse período, surpreendentemente, existia liberdade para política estudantil, apesar da ditadura da época. E para além da academia, tive uma formação baseada em festivais de música, teatro, fotografia; na organização de campeonatos e olimpíadas esportivas; em seminários e fóruns sobre política brasileira; em eleições estudantis livres; em relações de alto nível com professores. Era um ambiente desenhado para formar líderes e jovens preparados para o mundo. Vestibular e escolha da profissão foram consequência das descobertas que cada um fazia nesse ambiente. Sai de lá preparado para o mundo.
Escolhi fazer administração de empresas na UFBA. Além de ser uma profissão considerada genérica e de muitas oportunidades, está ligada à gestão de pessoas e a uma dinâmica de evolução do conhecimento. Me concentrei em cinco matérias, que me deram o aprendizado para seguir meus caminhos. Planejamento Estratégico, Marketing e a “compreensão filosófica” de juros compostos me instrumentalizam até hoje, e são meus alicerces de vida.
Minha primeira e decisiva experiência profissional foi MJC Cacau, empresa de commodities que atuava no mercado global em 1981, quando o Brasil ainda era totalmente fechado para o mundo. Sem entender, eu estava fazendo meu “MBA” na vida real. Lá, descobri que o liberalismo e a economia livre e desregulada são fundamentais para toda sociedade desenvolvida. No mesmo período, formamos o EVA, que se tornou uma das marcas mais conhecidas do país. Em seus 46 anos, já impactou 4 gerações e muitas histórias de amizades, casamentos, amor, negócios e relações em todas essas décadas. Temos a missão de perpetuar a marca e impactar pessoas com a linguagem da música. Grandes artistas passaram pelo EVA. Temos negócios e shows em todo o país. Somos brasileiros e nossa sede é na Bahia.
Em 1991, fui convidado para a Rede Bahia, um dos mais espetaculares casos de crescimento exponencial da Bahia, em resultados e em imagem. Tive o privilégio de ter sido CMO do Grupo e CEO de algumas empresas. Nos tornamos o Grupo mais relevante dentro dos Grupos de Afiliados da Rede Globo em todo o Brasil, pois fomos muito inovadores. Entendi a importância de uma boa estratégia.
O medo de ficar refém das conquistas me fez recomeçar - aja frio na barriga! - fui convidado para me jogar em uma Startup do Grupo ABC e morar em SP. Olhava São Paulo como destino da minha vida desde meus tempos de faculdade. A startup chamava-se Agência TUDO! (2005-2018). Tornou-se uma das melhores Agências de Live Marketing do Brasil, foi um dos melhores investimentos do Grupo ABC, e ganhou os maiores Prêmios do Mercado. Fomos vanguarda em tudo. Assuntos atuais como políticas LGBTetc, inclusão e liderança feminina, diversidade (inclusive de origens brasileiras e de vários países) já estavam no DNA da TUDO. Tínhamos um jeito de ser que não atendia aos padrões convencionais de desempenho, horários e comportamento. Na TUDO, virei empreendedor com todas as dores e sofrimentos. Em 2016, vendi minha parte para o Grupo Onminicon, mas lá fique até o final de 2018. Ao sair, olhei pro céu de São Paulo, e pensei: Axé!
Aposentado? O que fazer? Isso tirou meu sono. Reflexões: no 1º ciclo MJC, aprendi sobre globalização e mercado livre; no 2º na Rede Bahia, aprendi a força de uma estratégia; e no 3º na Agência TUDO, aprendi sobre ser empresário, focar na qualidade, e ter uma equipe maravilhosa (em todos os sentidos). Estava preparado para seguir. Optei por criar uma holding de participações no universo da economia criativa, com atuação próxima, mas sem ser executivo (... as vezes não me controlo, e me meto em tudo). Meus negócios são: entretenimento com o EVA, conteúdo com a Giros Filmes e marketing com o Mundo Real. Nelas, trabalho em meu cotidiano. Melhor, me divirto muito e amo.
Além disso, no decorrer dos anos, participei de vários projetos da sociedade civil. Sou do Conselho Consultivo de Irmão Dulce (OSID), voluntário em uma Cia de Teatro, e de muitos outros projetos sociais e artísticos, além de mentor de vários jovens.
Durmo todos os dias com a cabeça fritando de tanto pensar. Acordo todos os dias com medo de dar errado, mas sempre com novos projetos. Sou consumidor de notícias e informações. Amo gente! Tenho amigos em todo o Brasil e em vários lugares do mundo. Trabalho por prazer. Para dar conta de mim mesmo: corro, faço musculação, vou a cinema, teatro, espetáculos, e viajo muito.
Por fim meus dois filhos acham que tenho TDH! AXÉ !!!!!!