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Setor de vinhos da Bahia ganha novo impulso com articulação liderada pela FIEB

Setor de vinhos da Bahia ganha novo impulso com articulação liderada pela FIEB
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

05/02/2026 1:10pm

Fotos: Wilson Sabadin / Coperphoto / Sistema FIEB

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) promoveu um encontro com representantes do setor vitivinícola baiano para estreitar o diálogo com as empresas, mapear desafios e construir uma estratégia conjunta de fortalecimento da atividade no estado. Participaram 13 vinícolas, incluindo empreendimentos de maior porte e nanovinícolas instaladas no Norte da Bahia e na Chapada Diamantina.

Ao abrir o encontro, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, reforçou a importância da cooperação entre as empresas e a entidade. Segundo ele, a atuação integrada amplia a capacidade de enfrentar gargalos e criar oportunidades. A Federação, destacou, pode apoiar o setor especialmente em ações de capacitação, interlocução com o poder público e organização das pautas prioritárias.

A representante da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), Caroline Dani, que acompanhou a reunião de forma remota, ressaltou que o Brasil apresenta grande potencial de expansão no consumo de vinhos. Para que esse crescimento se concretize, porém, é fundamental estruturar melhor o segmento e fortalecer sua organização.

Durante o debate, empresários apontaram entraves como a dependência de insumos produzidos fora da Bahia — a exemplo de garrafas e rolhas —, problemas de infraestrutura logística, com destaque para trechos como a Estrada do Feijão, entre Morro do Chapéu e Lençóis, além de questões tributárias, estratégicas e relacionadas à qualificação profissional. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia também foi citado como um fator de atenção.

Marcos Barberino, sócio da Vinícola Sertania, classificou a situação da infraestrutura como um “apagão logístico” e defendeu incentivos fiscais que estimulem novos investimentos. Ele lembrou a transformação recente do setor no estado: se em 2009 não havia produção de vinho na Bahia, atualmente já existem cinco vinícolas com produção ativa. Segundo ele, mesmo as estruturas menores geram impactos econômicos relevantes nas regiões onde estão inseridas.

Barberino também destacou o potencial do vinho como vetor de desenvolvimento territorial, ao integrar indústria, turismo e hospitalidade. Em localidades como Morro do Chapéu, afirmou, há espaço para a consolidação de um polo de indústria manufatureira artesanal com identidade própria.

Como encaminhamento, a gerente de Relações Sindicais da FIEB, Manuela Martinez, anunciou a criação de um grupo de trabalho para aprofundar o diagnóstico do setor e definir prioridades. A proposta é aproximar as vinícolas do sistema FIEB e estruturar ações nas áreas de qualificação, apoio técnico e articulação institucional.

Para Fabiano Borré, sócio-fundador e CEO da Vinícola UVVA, o momento é decisivo. Ele defendeu maior integração entre os atores do segmento e alinhamento em torno de metas de longo prazo. “O vinho reúne agro, turismo e indústria. Consolidar essa integração dentro da indústria é um passo essencial para o amadurecimento do setor”, afirmou.