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A comunicação corporativa transforma a sociedade

Por Monique Melo, empresário, CEO da Texto & Cia

A comunicação corporativa transforma a sociedade
Coluna Business Bahia

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08/03/2026 3:30pm

Foto: Acervo Pessoal

No mês de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher e o aniversário da Texto & Cia Assessoria e Comunicação, que acaba de completar 31 anos, cuidando da imagem e reputação de empresas ou, como eu gosto de dizer, fazendo seus clientes serem bem-vistos, benquistos e terem resultados com propósito.

Empreender no Brasil não é tarefa fácil, sendo mulher e escolhendo uma atividade inovadora, como foi no meu caso, o desafio é ainda maior. Mas esta é hoje a realidade mais frequente, seja por escolha, necessidade ou facilidade, trazida pela era digital. No entanto, apesar de já sermos maioria no censo, nas universidades e no mercado de trabalho, as lideranças e os maiores salários ainda se concentram nas mãos dos homens. Enquanto não houver uma mudança efetiva neste cenário - agravado pelo aumento de feminicídios, casos de misoginia e de assédio – a sociedade não evoluirá nem prosperará em sua totalidade.

Vivemos em uma época em que a melhor narrativa, muitas vezes, se sobrepõe à verdade e a inteligência artificial gera muitas incertezas. Nesse contexto, investir numa equipe diversa, inclusiva e abrir espaço para o novo ou diferente, é questão de sobrevivência.

Considero-me uma privilegiada por atuar na comunicação, uma área transversal a qualquer negócio e que lida essencialmente com pessoas. Somos seres sociais: sem relacionamentos, não existimos. Esta é, aliás, a habilidade mais requisitada e imprescindível para qualquer profissional atualmente.

Meu dia a dia me ensina muito, o que me realiza, pois tenho a chance de colocar em prática muito do que crio e planejo nas estratégias das marcas que atendemos, com efetivas conquistas. Pois, no fim das contas, as marcas são feitas por e para pessoas, a minha grande fascinação e eterno objeto de estudo.

Conhecimento e posicionamento são os dois grandes aliados de uma empreendedora ou mulher em posição de destaque. Somos mais cobradas e temos que provar continuamente o nosso valor, já que fomos criadas num ambiente patriarcal, machista e sem direito a voz. A competência, no entanto, impõe respeito e a forma de se comunicar, demarca espaço e rompe silêncios.

Não podemos ceder à síndrome de impostora (a desconfiança em si mesma) e precisamos investir também no autoconhecimento, fortalecendo a nossa autoestima e dando sentido à nossa carreira profissional para atingir a realização plena. Neste ponto, a rede de apoio é fundamental para que seja possível equilibrar com maestria os diversos papéis, sem cair na exaustão.

Na vivência com grandes empresários e empresárias - sobretudo nos treinamentos de comunicação para falar com a imprensa, o público e para gravar vídeos-, exercito a escuta ativa, análise de contexto e busco contribuir com argumentos e provas sociais da necessidade de acelerarmos esta equidade entre homens e mulheres.Cada um precisa fazer a sua parte. Esta é uma pauta indispensável para quem quer ser admirado, ter sucesso e deixar legado real.

Orgulho-me de ter uma equipe majoritariamente feminina na agência e comprovo diariamente a força e sensibilidade destas profissionais para humanizar o trabalho e transformar a realidade. A mulher leva para a liderança um olhar mais compassivo, humano, agregador, sem perder a capacidade de agir em múltiplas frentes simultaneamente. Ela faz toda a diferença neste momento histórico em que vivemos, onde a saúde mental e o bem-estar ocupam o centro das discussões globais, figurando entre as principais prioridades no Brasil em 2026.

Segundo as últimas pesquisas de reputação, o público consumidor confia mais nas corporações para resolver as grandes questões da humanidade do que nos governos e mesmo, na imprensa. Portanto, a empresa também precisa se comunicar com coerência, transparência e propósito. E , neste mês da mulher, lembro que não basta às marcas "parecerem" comprometidas: é preciso ser. A audiência é vigilante e exigente, acompanha, cobra respostas e soluções. Por isso, mais do que nunca, a comunicação corporativa deve estar atenta aos vieses — muitas vezes inconscientes — que moldam discursos, decisões e narrativas dentro das organizações.

É importante seguir avançando com diálogo, consciência e ação. Porque uma sociedade mais justa se constrói também pela forma como nos comunicamos, pelas histórias que escolhemos contar e pelo espaço que abrimos para que todas as vozes sejam ouvidas. E essa transformação começa todos os dias, dentro de cada organização e de cada um de nós.