Circularidade ancestral na Amazônia
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Por Adriano Sampaio, CEO da Duplamente Inteligência de Mercado
Foto: Acervo Pessoal
De lançamento flopado a campanha esquecida: quantas vezes o feeling foi vendido como estratégia? Aqui está o motivo pelo qual só dados blindam decisões de verdade.
Se você atua em inteligência de mercado, já ouviu frases como: “meu feeling nunca erra” ou “o consumidor vai adorar, eu conheço meu público”. Pois bem, é justamente aí que medimos a distância entre intuição e realidade. Afinal, se ainda precisamos justificar em pleno 2025 que pesquisa de mercado reflete o mundo real, é porque o achismo corporativo continua mais caro que qualquer tracking study.
A ESOMAR, referência máxima do setor, sustenta que a confiabilidade de uma pesquisa não nasce de mágica, mas da soma de rigor metodológico, transparência e padrões éticos globais. São 75 anos de normas que balizam desde a amostragem até a entrega dos insights. Ou seja, quando o board exige “certeza”, devolvemos “probabilidade estatística com significância robusta”. É disso que se trata inteligência de mercado.
Nada de bolha digital ou “painel viciado”. Representatividade é conquistada com desenho amostral calibrado: probabilístico, estratificado, clusterizado quando necessário — ou quotas demográficas que asseguram aderência ao universo-alvo. Sem sample frame consistente, não há espelho da realidade.
Da CATI ao CAWI, do CAPI ao face-to-face, o que importa é padronização e neutralidade. Pergunta mal redigida gera measurement error; pesquisador enviesado contamina dados. O campo é onde a estatística encontra o consumidor — e qualquer descuido derruba validade externa.
Não basta o dashboard no Power BI. É preciso abrir a caixa-preta: margin of error, intervalo de confiança, ponderações aplicadas, weighting procedures e até response rate. ESOMAR não perdoa: sem clareza, não há confiabilidade.
Pesquisa isolada é peça solta. O verdadeiro insight nasce quando o consumer survey dialoga com retail audit, social listening e CRM analytics. Se convergem, chamamos de tendência; se divergem, temos um problema de data reconciliation — não um insight.
Agora, a provocação. Sem pesquisa, decisões estratégicas são apostas de cassino com dinheiro alheio. O C-level que ignora dados para seguir seu ego não é “visionário”: é apenas um early adopter do fracasso. Lembre dos milhões queimados em lançamentos que ninguém pediu. Pesquisa não é custo: é seguro contra o ridículo corporativo.
Uma coffee chain decide lançar bebida com “flavour exótico”. Pesquisa quantitativa aponta purchase intent baixo; qualitativo revela percepção de “sabor artificial”. A direção insiste — “o feeling diz que vai viralizar”. Resultado? Estoque encalhado, campanha cancelada em 3 meses, e nós, pesquisadores, com o leve sorriso irônico de quem já sabia.
O que garante que a pesquisa reflita a realidade não é feitiçaria, é método: desenho amostral, neutralidade de campo, transparência e triangulação. Quem ainda acredita no “eu acho” que nos perdoe, mas o mercado de 2025 não tem espaço para guesswork. Pesquisa é a bússola, o sonar e o radar do negócio. Feeling pode até guiar, mas quem garante ROI somos nós — os profissionais que transformam dados em estratégia.
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