A geração Z brasileira está mudando a rota do álcool
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A história do consumo nunca avança em linha reta, sempre que a tecnologia acelera demais, surge um desejo quase instintivo de retorno ao que dá limite e presença. Em 2026, este movimento ganha força com a valorização do analógico não como oposição ao digital, mas como antídoto ao excesso. A Geração Z, nascida em meio a telas, começa a buscar objetos e experiências que exigem atenção contínua e tempo próprio. Uma pesquisa do Pew Research Center, realizada em 2023, mostra que 60% dos jovens entre 18 e 26 anos afirmam sentir falta de uma vida com menos conexão constante, mesmo sem nunca ter vivido.
Os números da indústria cultural confirmam a virada, já que segundo a Recording Industry Association of America, a receita do vinil saltou de US$ 14,2 milhões em 2006 para mais de US$ 1,2 bilhão em 2022, superando os CDs pela primeira vez em quatro décadas. Em 2023, os Estados Unidos venderam cerca de 43 milhões de discos, com crescimento puxado majoritariamente por consumidores abaixo dos 30 anos. O Reino Unido seguiu a mesma trajetória, de acordo com a British Phonographic Industry. No entretenimento ao vivo, o relatório anual da Live Nation apontou 2023 como o maior ano da história da empresa em público e faturamento, sinalizando que a música voltou a ser consumida como encontro e experiência compartilhada.
O mesmo deslocamento aparece no mercado editorial, que após anos sob a sombra dos e-readers, e-books, kindles e tudo mais, o livro físico têm recuperado espaço. Dados da Nielsen BookData indicam que o Reino Unido vendeu 669 milhões de livros impressos em 2023, o maior volume já registrado, com leitores entre 14 e 25 anos liderando esse crescimento. Um estudo da National Literacy Trust revela que quase 80% deste grupo prefere o papel, enquanto apenas 30% opta pelo formato digital. Nos Estados Unidos, levantamento da American Library Association mostra que a Gen Z está entre os públicos mais assíduos de bibliotecas, transformando espaços em pontos de convivência e não apenas de acesso à leitura.
De forma paradoxal, é o próprio ambiente digital que amplifica a busca pelo analógico. Plataformas como o TikTok funcionam como vitrines culturais em que câmeras de filme, vitrolas, revistas independentes e jornais impressos circulam como signos de identidade. O objeto, isoladamente, importa menos do que o ritual que ele carrega: ouvir um álbum sem interrupções, esperar a revelação de uma fotografia, folhear páginas físicas.
Em 2026, empresas passam a vender menos produto e mais experiência. Grifes como Armani, Bulgari e Versace expandem sua atuação para hotéis, restaurantes e empreendimentos residenciais assinados, como apontam relatórios da Bain & Company sobre o mercado de luxo. O consumo deixa de ser transacional e passa a ser sensorial, espacial e memorável. No varejo, lojas físicas assumem o papel de ambientes de vivência e curadoria, fenômeno identificado pela McKinsey como resposta direta à fadiga do consumo puramente digital.
Mas, nada disto acontece sem custo, o analógico contemporâneo carrega valor simbólico elevado e preços igualmente altos. Equipamentos de som, câmeras de filme, discos e publicações impressas custam mais hoje do que na era pré-digital, segundo dados da Statista sobre bens culturais. Ainda assim, a disposição para investir revela uma mudança profunda no que se entende por valor. Em vez de velocidade e acúmulo, cresce a busca por permanência, materialidade e sentido. Se essa tendência vai se consolidar, o tempo dirá. Mas 2026 já mostra que, para uma geração criada dentro da tela, tocar, ouvir, ler e viver fora dela se tornou um gesto sofisticado de consumo e identidade.
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