Fasano Salvador realiza tradicional Noite de Iemanjá no rooftop do hotel
Fotos: Tati Freitas O Fasano Salvador realizou, no último domingo (1º), mais uma edição da Noite de Iemanjá, evento que já integra o calendário simbólico da ci...
Foto: Getty Images
A indústria global de bebidas alcoólicas enfrenta uma ruptura histórica. Estudos internacionais e análises do setor apontam que os jovens da chamada Geração Z (1997-2012) estão bebendo menos em todo o mundo, mudança que vai além de mudanças passageiras e se configura como um choque estrutural no mercado tradicional do álcool. Relatório internacional do Bloomberg indica que o valor acumulado perdido pelo setor pode ter chegado a US$ 830 bilhões nos últimos quatro anos, reflexo de menores volumes e receitas em segmentos centrais como cerveja, vinho e destilados.
No Brasil, uma pesquisa recente do IPSOS-IPEC realizada a pedido do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) mostra que mais da metade dos jovens brasileiros da Gen Z prefere não consumir álcool, e entre os que bebem, muitos reduzem sua ingestão ou buscam alternativas sem álcool por preocupações com saúde, bem-estar e estilo de vida equilibrado. A tendência de “sober curious”, termo que descreve a curiosidade pela sobriedade, traduziu-se num crescimento expressivo do mercado de bebidas não alcoólicas no país nas últimas temporadas.
A transformação tem raízes claras: os jovens cresceram em um ambiente em que saúde, autocuidado e valorização de experiências autênticas ganham espaço sobre hábitos tradicionais. Enquanto gerações anteriores associavam consumo de álcool a celebração, ritual social e identidade adulta, hoje se prefere priorizar sono, bem-estar físico, conforto financeiro e redes sociais menos centradas em álcool.
O quadro não se trata de uma oscilação temporária, mas uma cisão cultural e econômica entre gerações. Enquanto Boomers e Gen X sustentam parte do consumo tradicional, a Geração Z redefine fronteiras, exige significado em hábitos e relega o álcool a um papel marginal ou opcional. Amudança, embrionária há poucos anos, agora mostra que a indústria de bebidas enfrenta mais do que uma crise de vendas, mas uma reconfiguração do mercado pelo modo como as novas gerações escolhem viver.
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