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Odoyá, Yemanjá

Odoyá, Yemanjá
Verônica Villas Bôas

Verônica Villas Bôas

02/02/2026 10:01am

Arte: Let's Go Bahia

Yemanjá nasce no mar.

Nas águas salgadas que cercam cidades, portos e promessas. É dali que vem sua força e é para lá que o povo retorna quando precisa agradecer, pedir ou simplesmente confiar.

Mãe das águas, Yemanjá é o orixá que rege o mar e tudo o que nele vive. É vasta, profunda, acolhedora e firme. Embala, protege, mas também corrige. Ensina que a vida, como as ondas, é feita de ida e volta.

Ela é espelho. Quem olha o mar se vê pequeno, mas amparado. Quem confia, entrega. Quem teme, aprende a respeitar.

No universo dos orixás, Yemanjá é princípio de cuidado e disciplina, afeto e rigor. Mãe dos peixes, mãe dos orixás, mãe das cabeças. É a força que organiza o movimento das águas e lembra que até a imensidão precisa de equilíbrio.

Com o passar do tempo, sua fé atravessou oceanos e fronteiras. No sincretismo com a religião católica, foi associada a Nossa Senhora dos Navegantes e a Nossa Senhora da Conceição, imagens da mãe protetora que vela por quem enfrenta travessias. Mudaram os nomes, mas não a essência.

E nomes nunca lhe faltaram. Yemanjá, Iemanjá, Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá, Rainha do Mar. Cada nome, uma face. Cada face, uma forma de devoção.

A festa em sua homenagem nasce do encontro entre fé e mar. Em Salvador, no dia 2 de fevereiro, o Rio Vermelho desperta cedo. Barcos se enfeitam, flores se acumulam, bilhetes guardam desejos, pedidos e agradecimentos. Não é espetáculo. É rito. É promessa lançada às águas.

Yemanjá recebe. Às vezes leva. Às vezes devolve.

Como toda mãe que ensina pelo tempo.

E quando o dia termina e o mar segue falando sozinho, fica a certeza silenciosa: quem entrega ao mar aprende a confiar no caminho.

Odoyá Yemanjá