Entretenimento

Uma história da arte brasileira desembarca em Salvador com obras emblemáticas do acervo do MAM Rio

Uma história da arte brasileira desembarca em Salvador com obras emblemáticas do acervo do MAM Rio
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

27/02/2026 12:50pm

Artes: Hélio Oticica e Leonilson

A exposição Uma história da arte brasileira chega a Salvador no dia 10 de março de 2026, ocupando o espaço do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). A mostra, organizada pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), integra o programa de circulação nacional realizado em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e apresenta cerca de 80 obras fundamentais de seu acervo, propondo um amplo panorama da produção artística brasileira dos séculos 20 e 21.

Criada originalmente para a Cúpula do G20, realizada no MAM Rio em novembro de 2024, a exposição foi apresentada a chefes de Estado e delegações internacionais antes de ser aberta ao público. Em 2025, iniciou itinerância nacional, passando por Belo Horizonte — onde recebeu mais de 45 mil visitantes — e por Brasília, cuja temporada se encerrou em fevereiro deste ano com aproximadamente 16 mil visitantes. Agora, a mostra chega à capital baiana, cidade central para a história cultural do país e para a construção de imaginários artísticos no Brasil.


Para Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio, a itinerância amplia o acesso a um conjunto de obras que atravessam gerações e ocupam lugar de destaque na memória coletiva da arte brasileira. A iniciativa reafirma o compromisso do museu com a democratização cultural, a formação de público e a circulação de seu acervo.

Com curadoria de Raquel Barreto e Pablo Lafuente, respectivamente curadora-chefe e diretor artístico do MAM Rio, a exposição apresenta uma leitura plural da arte brasileira, evidenciando permanências, rupturas e experimentações que marcaram diferentes períodos históricos. Organizada em ordem cronológica, a seleção revela como artistas brasileiros interpretaram seu tempo, tensionaram narrativas e formularam novas possibilidades estéticas.

Encerrar a itinerância em Salvador tem um significado simbólico especial, sobretudo pela realização no MAM-BA, instituição historicamente conectada ao MAM Rio pela vocação moderna e pelo compromisso com a experimentação artística. A apresentação fortalece os laços entre os museus e amplia o diálogo entre seus acervos e trajetórias institucionais.

O conjunto reúne obras de nomes centrais da arte brasileira, como Adriana Varejão, Alberto da Veiga Guignard, Anita Malfatti, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Hélio Oiticica, Leonilson, Lygia Clark, Lygia Pape, Mario Cravo Neto, Sebastião Salgado, Tomie Ohtake, Tunga e Waltercio Caldas. A diversidade de linguagens, suportes e perspectivas evidencia a riqueza e a complexidade da arte produzida no país ao longo de mais de um século.

Estruturada em cinco eixos curatoriais, a mostra percorre momentos decisivos da história da arte no Brasil: o Modernismo (1910–1950), marcado pela busca de uma identidade nacional; o Abstracionismo e o Concretismo dos anos 1950; a Nova Figuração e as poéticas conceituais das décadas de 1960 e 1970, em diálogo com o contexto da ditadura militar; a produção dos anos 1980 até os dias atuais, destacando a pluralidade contemporânea; e, por fim, um recorte dedicado à fotografia brasileira contemporânea, com obras do comodato Joaquim Paiva, que abordam questões sociais, políticas e culturais do país.

A realização da exposição em Salvador reforça o compromisso institucional com o acesso público à arte e com a educação. Ao reunir artistas de diferentes períodos e perspectivas, a mostra convida o público a revisitar trajetórias, repensar narrativas históricas e reconhecer a multiplicidade que constitui — e transforma continuamente — a produção artística brasileira.

Fundado em 1948, o MAM Rio abriga uma das coleções mais relevantes de arte moderna e contemporânea do país, com cerca de 16 mil obras, incluindo acervos em comodato de Joaquim Paiva e Gilberto Chateaubriand. Ao longo de sua história, o museu consolidou-se como espaço de formação, experimentação e fortalecimento da função social da arte.

Já o MAM-BA, localizado no Solar do Unhão, às margens da Baía de Todos-os-Santos, destaca-se como um dos principais museus dedicados à arte moderna e contemporânea no Brasil, articulando patrimônio histórico e produção artística atual, com forte ênfase na cena baiana.

A exposição permanece em cartaz até 28 de junho de 2026, com visitação de terça a domingo, das 10h às 18h, e classificação indicativa livre.